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Fé em Deus e pé na tábua

Fé em Deus e pé na tábua

Não é a toa que a sabedoria popular, expressa nas frases de pára-choque de caminhão, é tão respeitada. A frase acima é a única capaz de definir a irresponsabilidade generalizada que toma conta do trânsito em nosso país, especialmente nas rodovias. O que aconteceu esta semana, na BR-381 – já conhecida como rodovia da morte – superou toda a nossa capacidade de aceitar a indiferença do poder público.

Mário Dutra dirigia pelo Anel Rodoviário da capital quando percebeu que o motorista de uma Saveiro fazia manobras desajeitadas à sua frente. Um pouco adiante, nas imediações da ponte sobre o Rio das Velhas, de novo a pick-up saiu de sua pista e obrigou um ônibus que vinha em sentido contrário a manobra das mais perigosas. Mário imediatamente ligou para o posto da Polícia Rodoviária Federal e pediu que parassem aquele veículo.

Vinte minutos depois, na sua tentativa de chegar a Caeté, Mário viu a Saveiro em cima do que sobrou de um Siena e quatro pessoas gravemente feridas. A explicação da assessora da Polícia Rodoviária: “De fato, o único veiculo nosso foi atender a um acidente no trecho e ficou apenas um policial no posto o que, legalmente, o impede de ir até a pista para abordar qualquer veículo”.

É isso, gente boa... Além de não ter pessoal e equipamentos suficientes para fiscalizar nossas estradas (e olha que Minas tem a maior malha rodoviária federal), a PRF agora também não impede que ameacem a segurança dos outros. Nem mediante denúncias. Para piorar, o carro do SAMU que foi socorrer as vítimas estava sem oxigênio. Que situação!

E a gente comemorando a conquista do sexto lugar na economia mundial! Se você quer entender porque nossas pistas são uma carnificina, vá ao nosso Anel Rodoviário e fique observando dez minutos: há um monte de irresponsáveis, às vezes com veículos pesados, dirigindo e falando ao celular, trafegando pela esquerda, a 100, 120 quilômetros a hora, ultrapassando em locais proibidos, ignorando as placas de sinalização... É um “Deus nos acuda”, como diz outra expressão popular.

Melhor, é o maior teatro do mundo: 53 deputados e três senadores fingem que nos representam em Brasília; vários ministros fingem que estão preocupados conosco; o governo do Estado finge que vai agir; os prefeitos fingem que estão sofrendo; os patrulheiros rodoviários fingem que fiscalizam e a gente vai para morte, como boi no matadouro, sem saber quando a lâmina vai cortar nosso pescoço...