Ouça a rádio

Compartilhe

Família

Este texto é dirigido, especialmente, aos recém-casados e àqueles jovens que estão se preparando para o matrimônio. Mas, atenção, o autor não é modelo irreparável de pai, marido ou chefe de família e não quer escrever uma página de aconselhamentos.

Este texto é dirigido, especialmente, aos recém-casados e àqueles jovens que estão se preparando para o matrimônio. Mas, atenção, o autor não é modelo irreparável de pai, marido ou chefe de família e não quer escrever uma página de aconselhamentos. Apenas, como cronista do cotidiano, quer chamar a sua atenção para a importância das pessoas que nos são mais especiais porque próximas - mantenedoras de uma relação de interdependência conosco e, seguramente, aquele porto seguro no qual nos agarramos nas horas mais difíceis. Digo isto por estar cansado de narrar e retransmitir os casos mais escabrosos, todos com origem na falta de algo tão antigo quanto a existência humana e que nunca esteve tão em baixa – a relação familiar.

 Vamos aos fatos. Apenas alguns, mais recentes. Uma mãe jogou a filhinha na lagoa da Pampulha, outra deu seu bebezinho para jovens cariocas que sequer conheciam e outra - usuária de drogas- está grávida pela vigésima segunda vez, sem saber por onde andam os filhos. Se você está pensando que só falo de gente que vive no fundo do posso, na extrema miséria material e afetiva, dê uma olhada no noticiário. O ex-nadador australiano Ian Thorpe, pentacampeão olímpico, foi internado nesta semana em um hospital depois de encontrado pela polícia em estado de atordoamento em um bairro de Sydney. Esta é a segunda vez em 15 dias que internam Thorpe, que tem problemas com drogas e depressão. Outra: Dylan Farrow, filha adotiva de Woody Allen, mandou uma carta ao jornal mais famoso do mundo acusando o cineasta de abusos sexuais. E esta não é a primeira vez que o acusam de barbaridades. Mais uma: encontrado sem vida o ator e diretor norte-americano Philip Seymour Hoffman, vencedor do Oscar e vítima de overdose de drogas. No Rio, o documentarista Eduardo Coutinho, referência nas artes brasileiras, foi morto a facadas pelo filho, um esquizofrênico de quase 50 anos.

Como nos prevenir? Como evitar tragédias tão devastadoras entre nós? Não sou especialista, mas, ouso repetir aqui o que tenho ouvido a vida inteira de gente espiritualmente mais qualificada: a dedicação aos filhos, à mulher, ao marido, a vida toda, em tempo integral é a receita. Ninguém é obrigado a viver com quem não ama, mas, estando junto, tem de participar, dividir emoções, amar, abraçar, conversar, sofrer junto, comemorar junto, construir uma forte muralha para enfrentar as ameaças que estão em toda parte. O mundo atual é hostil à família. Não se pode falar mais forte com um filho, é bonito mãe e pai trabalharem o dia inteiro e se encontrarem com amigos à noite, deixando o bebê com a babá; as novelas e outros sucessos da mídia só ensinam desavenças, desrespeitos e sucesso de “espertos”, enfim, é muito difícil criar um ambiente sadio e seguro no núcleo familiar, mas, sabemos todos, não há outro caminho para o envelhecimento em paz.