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Experimentando do próprio veneno

Os mais famosos criminalistas de Minas estão desfilando sua indignação desde a última sexta-feira. Queixam-se de que seus clientes estão em celas inapropriadas

20/11/2013 às 09:39

Os mais famosos criminalistas de Minas estão desfilando sua indignação desde a última sexta-feira. Queixam-se de que seus clientes estão em celas inapropriadas; os que têm pena semiaberta para cumprir não poderiam ter sido levados para Brasília, que não há dependências para as duas mulheres presas, etc. O pior é que alguns brasileiros, de bom coração, ficam comovidos e até tentados a defender tratamento privilegiado.

Meu Deus, Marcelo Leonardo, Maurício Campos e os outros operadores do direito que defendem esses poderosos – e se foram escolhidos e pagos a preço de ouro é porque são os melhores – não sabiam das condições de nossos presídios? Será que não sabem que faltam vagas e as condições mais básicas para o cumprimento das penas? Não contaram para eles que não temos albergue na mesma proporção das necessidades? E que, no caso de menores, apenas três dos 853 municípios mineiros têm instalações adequadas para o cumprimento da medida socioeducativa mais grave que é a internação?

Para os que defendem um tratamento diferenciado para Genuíno e Dirceu, alguns lembretes: sabem quanto o governo federal tem prometido e quanto tem efetivamente repassado para os estados no combate à violência? Eles sabem que, enquanto Minas Gerais tem mais de 60 mil presos o governo federal mantém apenas quatro presídios e com capacidade não superior a 300 presos? Alguém contou para a cúpula petista que governa o país o drama do Mato Grosso que tem hoje 15 mil presos por conta do tráfico na divisa do Brasil com a Bolívia e o Paraguai e o governo federal finge que não é com ele?

O que quero dizer é que os petistas famosos estão provando do próprio veneno e os tucanos que se preparem porque estão na fila das maiores encrencas do Supremo Tribunal Federal. Quanto a nós, mineiros, temos motivos de sobra para nos envergonhar porque, entre os primeiros onze presos, sete são conterrâneos. E, cá entre nós, é possível ter pena de Marcos Valério? E Kátia Rabelo, que comandava o banco envolvido em todas as falcatruas recente deste país? E Romeu Queiroz que, duas décadas atrás, comandava a política a partir da Assembleia Legislativa, com um festival de altos salários fartamente denunciado na época?

Ali não há inocentes. E se a Papuda é um lugar inóspito, esses bacanas não viram nada; não conheceram nossas carceragens desumanas de até outro dia ou sequer conhecem as celas do CERESP hoje lotadas com mais de 40 presos. Recentemente, ouvi uma definição para ética muito interessante que se resume a três palavras: quero, devo e posso. É o caso de se pensar: quero... Mas, devo? Devo, mas... Posso? Vamos ensinar nossos filhos pensarem assim e vamos criar ambientes dignos para os que precisam pagar suas dívidas; afinal, ninguém sabe o dia de amanhã?

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