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'Executômetro'

'Nem sempre o patrão que foi condenado tem como pagar o estipulado pelo juiz. Por isso é que o Tribunal Superior decidiu convocar os Estados para o mutirão'.

22/09/2014 às 10:02

A Justiça do trabalho realiza a partir de hoje um mutirão em todo o país para encerrar ações que estão em fase de execução. Só na capital mais de 600 audiências estão marcadas, na tentativa de acordo entre quem deve e quem não conseguiu pagar quando a sentença foi promulgada. Além disso, haverá, na próxima quarta-feira, um leilão com mais de 900 itens – que vão de pequenas máquinas a apartamentos – com o qual os juízes imaginam ser possível arrecadar mais de 60 milhões de reais para pagamento de dívidas que já foram decididas, porque a Justiça do Trabalho é célere, porém,  nem sempre o patrão que foi condenado tem como pagar o estipulado pelo juiz. Por isso é que o Tribunal Superior decidiu convocar os Estados para o mutirão.

Chamou a minha atenção o fato de que na página no Tribunal da terceira região, que é o nosso, a partir de hoje, haverá um painel indicando quando foi arrecadado no esforço concentrado que conta com juízes da ativa e mais quatro aposentados que se oferecem para ajudar. Gostei do nome: “executômetro”. Eu já conhecia o “impostômetro”, aquele medidor da Associação Comercial de São Paulo que contabiliza os impostos pagos pelos brasileiros em qualquer instante de tempo. Sei, também, da existência do “sonegômetro”, criado pelo Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional que mede o índice de sonegadores em todo o país e afirma que, só esse ano, já deixaram de ser recolhidos aos cofres públicos mais de 330 bilhões de reais... Uma verdadeira fortuna!

Mas, voltemos ao “executômetro”... Nome diferente, esse. Fiquei imaginando em quantas situações ele poderia ser usado. Por exemplo, nessas áreas dominadas pelo tráfico de drogas, onde delação, traição e falta de pagamento rendem automática condenação, um aparelho, departamento ou cidadão com esse nome faria sucesso. Pensei também no caso dos que jogam no ataque. Não no caso do meu Atlético, com Jô e André, mas, no momento, a linha de frente do Cruzeiro, que faz mais de 2 gols por jogo, esses poderiam ser chamados de “executômetro azul”. Outra: no dia 5 de outubro, quando estiver dentro da cabine na sessão eleitoral, me sentirei como o “executômetro” quando mandar para a aposentadoria três ou quatro que não corresponderam.  Como faz falta alguém com esse nome na administração pública! Imagina se em toda Regional, Bhtrans, secretaria de Estado ou repartição do governo federal houvesse alguém com poderes parecidos com os daquele posto de gasolina, da propaganda. Assim, quando o cidadão pedisse poda de árvore, respeito à lei o silêncio, operação tapa-buracos ou qualquer serviço público, seria orientado a procurar imediatamente o “executômetro”... Engraçado, sabe o que acabo de pensar aqui, agora: na verdade, num país em que a gente entrega cinco meses de tudo o que ganha em um ano e não tem a contrapartida, temos de admitir que o “executômetro” já existe e tem apelido: governo.
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