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Eu já sabia!

Existem pesquisas que nos surpreendem. Mas, a maioria, traz apenas confirmação técnica ou científica do óbvio

23/12/2013 às 09:54

Existem pesquisas que nos surpreendem. Mas, a maioria, traz apenas confirmação técnica ou científica do óbvio. Por exemplo: qualquer pessoa que conhece minimamente a vida de gente boa como Chico Xavier, Irmã Dulce, João Paulo II, Madre Tereza de Calcutá ou Nelson Mandela sabe que quem faz o bem se sente muito melhor. É a tal política “ganha ganha”, tão decantada ultimamente por pessoas que querem fazer parcerias. Para ficar no que nos deixou mais recentemente, o líder Mandela dizia que a pessoa não deve, ao fim da vida, avaliar o que fez por si, mas, o que conseguiu mudar na vida dos outros. Eu mesmo, quando de um trabalho de campo para preparar dissertação de Mestrado, entrevistei mais de 800 pessoas para confirmar o que sempre soube: o Mercado Central de Belo Horizonte é, talvez, o único lugar inclusivo na cidade excludente, o único espaço em que desembargador esbarra em patricinha e pedreiro encosta em madame, tomando uma cerveja, sem consequências.

Por isso e muito mais é que adorei a tese de Linda Henkel, pesquisadora da Universidade de Fairfield, nos Estados Unidos, segundo a qual quem está passeando e, no lugar de apreciar as belezas, gasta todo o tempo fotografando e colocando em mídias sociais, acaba por não reter na memória o que viu. Ou seja, a pessoa viaja, conta para o maior número possível de conhecidos que visitou monumentos, obras de arte e deslumbrantes, mas, na verdade, não viu, portanto, não guardou nada para se lembrar de verdade. Recentemente, aprendi num livro de Frei Beto que a gente não vê com os olhos, mas, com o cérebro, o que é perfeito quando confrontado com a tese da americana. Filha de fotógrafo, ela decidiu fazer a pesquisa quando, em visita ao Grand Canyon, viu uma moça que se aproximou, fez uma foto, virou as costas e foi embora, como se dissesse: pronto, resolvido.

Já realizando o trabalho, ela viu que muita gente disputa espaço em filas só para clicar o celular e, em seguida, colocar na rede. O método utilizado por ela foi de simplicidade pueril: um grupo de 15 estudantes deveria “visitar” obras de um museu e outra turma de 15 iria fotografar. Todos foram orientados a ler o nome do objeto e, enquanto uns observavam por 30 segundos, outros fotografavam por 20 segundos. No dia seguinte, os estudantes foram levados a um teste, no qual tinham de se lembrar de nomes, detalhes específicos das obras e o reconhecimento delas e seus nomes.

O trabalho vai continuar e nos trará uma serie de conclusões assustadoras, a começar pelo fato de que hoje, se a gente tem a chance única de estar frente a frente com a “Monalisa” , no lugar de admirá-la muitos de nós vão optar por fazer fotos (para mostrar aos outros) e, quem sabe, depois, admirar no telefone. Estamos criando um Google pessoal... Precisou, acessa lá... Ah, importante, se você for viajar em grupo e não levar máquina fotográfica terá de dar explicações o tempo todo... “Como? Não vai clicar?” Eu costumo responder: “Não, por fotografia já conhecia”
   

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