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Eu, hein!

Prezado, o que até então era inspiração para as mais variadas piadas aconteceu de verdade, foi transformado em ocorrência e já é inquérito policial. Deu no principal jornal da cidade, “Diário de Araxá”:

13/11/2013 às 10:24

Prezado, o que até então era inspiração para as mais variadas piadas aconteceu de verdade, foi transformado em ocorrência e já é inquérito policial. Deu no principal jornal da cidade, “Diário de Araxá”:

“Por volta das 2h, a Polícia Militar (PM) compareceu à rua José de Ávila, no bairro Ana Antônia, onde uma mulher de 53 anos relatou que por problemas particulares está dormindo em sua residência em um quarto separado do marido, e que no decorrer da madrugada acordou com um homem acariciando o seu corpo, sendo que ele já havia tirado suas roupas e então eles mantiveram relação sexual, com ela achando que fosse seu marido. A vítima relatou que ao ouvir a voz do autor, percebeu que não era seu marido e sim seu vizinho I.V., 27 anos, que saiu correndo, pulou a janela de sua casa, deixando para trás suas roupas. Os militares, através de algumas informações, se dirigiram até a residência do envolvido que estava dormindo totalmente nu. Segundo o pai do autor, seu filho possui problemas mentais. Diante do fato, o envolvido foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil e o boletim de ocorrência registrado para as devidas providências”.

Agora já não falta nada para que eu dê razão ao que disse minha mãe, no dia 1º de janeiro de 2001 quando provocada por mim por conta da velha frase “de mil passará e a dois mil não chegará” que ela repetia com certa insistência diante das notícias ruins e de um tempo cada vez pior. Naquela manhã, pós-réveillon, eu truquei: “Dona Miralda, passamos de 2000, já estamos em 2001 e o mundo segue, cada dia mais avançado pelo menos do ponto de vista da tecnologia”.  Sem perder a pose, até com ar de superioridade – e de verdadeira sabedoria – ela respondeu sem pestanejar com outra pergunta: “Mas, o mundo não acabou?”. E acrescentou: “Você é que não percebeu ainda”.

O mundo está de ponta a cabeça e quem é branco, trabalhador, pagador de impostos, classe média, heterossexual, defende o respeito às leis, acredita que o seu direito termina onde começa o dos outros, quem, enfim, aprendeu a fazer a coisa certa, está em maus lençóis. Afinal, aposto que o invasor voltou para casa logo após conversar com o delegado (será que tinha um delegado de plantão?) e, diante da notícia, muita gente ainda vai dizer que a mulher está é despistando, que ela fez tudo de caso pensado, etc... Quando ao abusador, é portador de sofrimento mental, merece nossa compaixão, deve receber as roupas de volta e ganhar fama na cidade de bom de cama e de salto triplo sobre cercas e janelas. Imagina se agora, quando nós, homens, formos “convidados” a dormir no sofá, ainda que tivermos de, sorrateiramente (para não acordar a amada e ganhar uma bronca) conferir as janelas para que outro não faça as pazes em nosso lugar?
 

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