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Eu acredito!

Quando os atleticanos se reúnem aos milhares e proclamam sua fé, emitem uma força estranha que abre os pulmões dos jogadores e os leva ao êxtase;

07/11/2014 às 10:06

Nós vivemos a era dos extremos. Experimentamos as quatro estações do ano em um só dia, guindamos anônimos à condição de celebridade em alguns minutos – o contrário também acontece – e, nos campos de futebol, junto com a maior paixão de nossa gente caminha o admirável imponderável, o revés do favoritismo e a prevalência da vontade sobre a lógica. Mais e mais esse esporte se consolida como o único entre os praticados por equipes onde não há o mais sabichão analista capaz de fazer previsões. Ou alguém apostou em vitória da Alemanha sobre o Brasil por 7 a 1 em plena Copa do Mundo? Na noite de anteontem não era tão irracional assim imaginar classificação dos mineiros sobre seus adversários porque o time da vila famosa está ainda em formação e o Flamengo de hoje é dos piores de todos os tempos. Mas, a ocorrência do gol carioca logo no começo do jogo do Mineirão e aquele placar de Santos até 37 do segundo tempo pareciam não deixar dúvidas de que tudo estava resolvido. Lá, prevaleceu o talento, pois, convenhamos, o Cruzeiro é o melhor time do Brasil desde 2003. Aqui, o ator principal foi extracampo e é sobre este que quero falar.

Para Tábata, produtora da TV Record, foi macumba. Para muitos comentaristas famosos do eixo Rio São Paulo um tijolo difícil de digerir, mas, quem conhece a história do Atlético, especialmente a recente, sabe que de todas as brincadeiras a respeito do glorioso a mais pertinente é aquela que o compara à frase que a mãe diz a uma criança quando, em público, há um ato reprovável: “Lá em casa a gente acerta!”. De fato, se o Atlético em gramados inimigos é presa fácil, em seu terreiro beira o impossível. Especialmente depois da campanha da Libertadores, no ano passado, quando a massa adotou o “Eu acredito”. Creio que é resultante de mantra que o repórter Bruno Azevedo usava anos antes, na cobertura do terceiro time mais importante de Minas em sua luta para voltar à elite - “Acredita América!”. De repente, a torcida do Atlético resolveu assumir que acreditava, sempre, o que não é novidade para quem a conhece e a consequência o Brasil hoje respeita: o “Galão” da massa prova que um raio pode sim cair no mesmo lugar, até quatro vezes.

Ontem, enquanto muita gente buscava as maneiras mais divertidas de comentar a final mineira na Copa do Brasil, eu fiquei pensando sobre o poder do pensamento, da mente, a força de uma vontade... Vivemos um tempo de conexões estranhas; ao mesmo tempo, diante da TV, o país inteiro de diverte com uma piada ou uma luta, mas, na verdade, cada um de nós está em seu apartamento, solitário... Quando os atleticanos se reúnem aos milhares e proclamam sua fé, emitem uma força estranha que abre os pulmões dos jogadores e os leva ao êxtase; o jogo deixa de ser apenas negócio e vira pelada de fim de ano em que ganhar significa muito para solteiros e casados, questão de honra... Que coisa mais bonita!

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