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Êta forgança

Êta forgança

Essa expressão, bem popular, assim mesmo – com o r no lugar do l – comumente usada pelo grande comunicador Mauro Tramonte é a melhor definição para a farra dos feriados no serviço público brasileiro.

O assunto não é novo, sei que alguns servidores ficarão irritados comigo, mas, como não costumo guardar só prá mim as coisas que me intrigam, quero discutir com você o recesso que a nossa máquina pública preparou para os próximos cinco dias.

Poderia tratar aqui dos policiais, dos fiscais, de tantas outras categorias, mas, desta feita, o que atraiu minha indignação foi uma portaria assinada pelo presidente do Tribunal Regional Federal cuja cópia está afixada nos quadros de aviso do prédio da Justiça Federal, situado à Rua Santos Barreto, em Belo Horizonte. Está escrito lá que, por ordem do senhor presidente, o feriado alusivo ao Dia do Servidor, que deveria ser comemorado hoje, fica transferido para segunda-feira, dia 31, e que as pendências nas diversas varas ficam automaticamente transferidas para o dia 3 de novembro. Ou seja, a ordem é folgar sábado, domingo, segunda, quarta (Dia de Finados) e, para não quebrar o ritmo, terça também.

Sei que alguém vai dizer: “Eduardo, quase todos os anos, pela proximidade com o Dia de Finados, o feriado do Dia do Servidor é transferido...” E eu vou insistir: é uma indecência. Mas, podem ponderar outros, há no regimento do pessoal que trabalha na justiça, seja ela federal ou outra instância qualquer a previsão de feriado também no dia 1º, dia “de todos os santos” e eu continuarei achando indecente.

Ah, recentemente, a Justiça federal parou porque era o dia do advogado. Não é que tenha algo contra qualquer trabalhador do serviço público, especialmente os da justiça. É que essa mesma justiça demora 10 anos para julgar um pedido de aposentadoria. A mesma cujos líderes, os juízes, reclamam sobrecarga de serviço e prometem parar o trabalho dia 30 de novembro para pedir aumento de salário. Antes, deve emendar o dia 14, uma segunda-feira (na terça, 15, é feriado da Proclamação da República).

E, daqui a 50 dias, todos ganham o belo recesso de passagem de ano. Juro que não é papo de quem está com ciúmes por não ter tanta folga. Juro que não é ressentimento pessoal, considerando que entrei com uma ação há seis ou sete anos e até hoje não vi resultados. É só desabafo de um brasileiro que não consegue entender  a combinação de justiça emperrada com folgança danada.