Eduardo Costa

Coluna do Eduardo Costa

Veja todas as colunas

Mais Notícias

Entrevistei dois santos

Entrevistei dois santos

06/05/2013 às 02:13

Nos últimos 34 anos, a profissão me permitiu viagens fantásticas, momentos de muita tensão, encontros memoráveis, tristezas profundas e uma mala cheia de motivos para gostar do jornalismo. Também não posso me queixar porque entrevistei reis de verdade, como o da Espanha, e do coração do povo, como Pelé e Roberto Carlos. Mas, orgulho mesmo, tenho é de ter entrevistado dois santos – embora ambos ainda não o sejam de fato e de direito.

No final dos anos 70, fui escalado para ir a Pedro Leopoldo numa noite fria acompanhar uma homenagem que a cidade faria a um filho ilustre há muito morando fora. E num dos corredores da casa dei de frente com ele: Posso falar com o Senhor? “Claro meu filho”, respondeu Chico Xavier, enquanto apertava minha mão. Acho que perguntei a ele sobre a alegria de voltar à terra natal, mas, confesso, nem no dia seguinte me lembrava com certeza de detalhes. É que, quando ele pegou na minha mão, senti um arrepio incontrolável, tipo um frio pela coluna, algo muito legal e quase indescritível.

Mais tarde, conhecendo parte da obra de Chico, entendi porque aquela rápida entrevista me tirou o equilíbrio: ele era, sem dúvida, uma pessoa especial, iluminada, que irradiava bondade. Pouco depois, no começo dos anos 80, ainda trabalhando na Rádio Guarani, fui escalado para a cobertura da visita do Papa João Paulo II a Belo Horizonte. Meu posto era o palanque de imprensa, na praça onde foi celebrada a missa... Ficamos em espaços diferentes, mas muito próximos, ou seja, durante duas horas ou mais fiquei há apenas três metros daquele homem absolutamente diferente: os poucos cabelos pareciam feitos à mão, o rosto era incrivelmente suave, a pele quase transparente e duas ”maçãs” que adornavam o rosto lhe conferiam uma aparência de “bumbum de neném”... Isso mesmo! Sabe aquele bumbum de neném, fofo e de cheiro (quase sempre) bom. Era assim... Como dava vontade de tocar naquele rosto! E como soavam bem aos nossos ouvidos suas palavras!

Com um português corretíssimo e uma capacidade de perceber a emoção de toda a multidão, a ponto de parar o pronunciamento na hora certa, esperar pelos incansáveis aplausos, e encantar ao extremo. João Paulo II disse: “O papa não esquecerá vocês nunca mais”! Se me permite, sua santidade parece que nos rogou uma praga porque nós nunca mais o esquecemos. E ele voltou ao Brasil mais duas vezes, sendo a última em 1997. Foi em outubro, mas fiquei sabendo em fevereiro e trabalhei meses a fio preparando uma cobertura que foi o ápice da minha carreira.

Segui dias antes para a Itália e vim no avião do Papa. Lá dentro, logo depois de iniciado o vôo, descobri que o MD 11 da Alitália tinha telefones para uso via satélite. Passei então a fazer flashes durante toda a viagem, transmitindo até mesmo parte da entrevista que o papa concedeu dentro do avião para 50 jornalistas credenciados.

Depois, no Rio de Janeiro, junto com Solange Bastos e Ricardo Rabelo, fiz uma cobertura que se poderia ter encerrado a minha carreira - não me faltaria mais nada. Agora que o mundo celebra a beatificação de João Paulo II e que tantas homenagens são prestadas a Chico Xavier, quero dizer algo bem ao pé do ouvido de Papai do Céu: Obrigado por me permitir chegar tão perto de gente tão iluminada, tão cheia de carisma; dois dos mais legítimos porta-vozes de Vossa sabedoria, bondade e grandeza.

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    Pagamento será depositado diretamente na conta bancária informada na declaração. #Itatiaia

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    Primeira-ministra destacou que "fase vermelha não é lockdown"

    Acessar Link