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Sexta-feira, 30 de maio. Pouco depois das 19 horas. Naquele movimento maluco do trânsito na Savassi, um taxista que descia Professor Morais resolve....

04/06/2014 às 11:21

Sexta-feira, 30 de maio. Pouco depois das 19 horas. Naquele movimento maluco do trânsito na Savassi, um taxista que descia Professor Morais resolve convergir para a Santa Rita Durão, à esquerda. Uma caminhonete que seguia pela Getúlio Vargas bate no táxi que, descontrolado, vai parar num poste da Cemig, sobre o passeio. Ali existe a mais tradicional sorveteria da cidade, mas, como a mão de Deus está sempre por perto e ele é mesmo brasileiro, o tempo estava frio, não havia clientes e nem pedestres passando na hora. Pelo estrago feito no veículo, o atropelamento seria fatal.
 
Vi a colisão como mais uma da nossa triste rotina e segui adiante. Duas horas mais tarde, passei por perto de novo e lá estava o taxista, meu xará, curtindo o frio e a perplexidade. Contou-me que estavam vivendo um impasse que se repete aos montes dia e noite em Belo Horizonte: tanto o seu veículo quanto o outro só poderiam ser retirados depois da ocorrência – é uma exigência da seguradora – e a Polícia Militar não se dispunha a comparecer. Tudo foi confirmado pelos dois guardas municipais que estavam ali há algum tempo, sendo que um deles tinha no celular e o registro da chamada às 20h07m para o 190. Liguei para o nosso telefone de emergência, pedi para falar com um responsável, a moça disse não, quis saber do que se tratava, falei do acidente, ela pediu as placas de novo e repetiu que era para os envolvidos procurarem uma companhia da PM para registrar o fato. Identifiquei-me como jornalista, no ledo engano de que isto poderia mudar as coisas, exigi um superior e veio ao telefone o sargento Marinho que, educadamente, explicou de novo: “Nós só podemos fazer ocorrências com vítimas e temos uma fila neste momento; acidentes com uma vítima fatal e com feridos... São oito na fila, agora”. Nesta altura, o filho e a esposa do taxista e um amigo do outro motorista já estavam no local. Estes ficaram tomando conta dos veículos sinistrados, enquanto os motoristas foram procurar companhia para o registro. Fui.  Meia noite os carros ainda estavam por lá. 


E passei o fim de semana fazendo algumas perguntas: será tão difícil assim a gente ter dez motos que circulem dia e noite pela cidade só para fazerem ocorrências e ajudarem no trânsito? Se a PM não pode, porque a Guarda Municipal não faz? Aliás, prá que servem os guardas se não podem enfrentar ladrões – porque são proibidos de se armarem – e quando diante de um acidente, ficam a olhar, como qualquer curioso? Prá que existem os agentes da Bhtrans se são proibidos de multar e não os vemos em campanhas educativas? Por que pagamos tanto imposto e somos tratados com tanta indiferença? Por que quanto mais o povo se revolta mais o governo, em seus diversos níveis, mais se esconde? Por que essa gente poderosa acredita cada vez mais que a omissão vai lhes garantir mais mandatos? Naquela noite fria de maio, modifiquei a frase de para-choque de caminhão que agora (prá mim) é a seguinte: “Agora, cês me aperta; em outubro, a gente acerta!”.

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