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Emergência e indiferença

Emergência e indiferença

06/05/2013 às 02:13

Moro em um dos cruzamentos mais movimentados da cidade. Talvez por conta disso, tenho me preocupado tanto com a questão das sirenes em nossa cidade. Já disse várias vezes que deveríamos ter uma estratégia de fiscalização para separar quem precisa salvar uma vida de quem quer chegar logo em casa. Explico melhor: tenho certeza absoluta de que a metade das sirenes que ouvimos, todo dia, em Belo Horizonte, só interessa a quem está no volante e quer – de maneira desonesta, cruel e criminosa – chegar logo em casa. Refiro-me a todo tipo de veículo: policiais militares, civis, federais agentes penitenciários, motoristas de ambulância, claro que sem generalizar, mas, insistindo, há, em todas essas categorias profissionais, gente que liga o giroflex, dispara o alarme e tumultua o já inacreditável trânsito sem a verdadeira urgência. É uma pena. Afinal, se, de um lado, estão enganando os de boa fé, de outro criam um clima dúvida em relação à emergência de quem pede passagem. E isso, em médio e longo prazo, pode trazer danos que nenhum de nós é capaz de avaliar. Tenho um caso concreto: o amigo Romeu Dias, publicitário, sofreu problemas renais recentemente e precisou visitar o hospital por duas vezes, em menos de 72 horas. Por sorte, estava na casa da filha, na região Norte de Belo Horizonte, e não em Santa Luzia, onde mora. Mas, ainda assim, ele conta emocionado o sufoco para atravessar a região central e chegar ao hospital. A filha ligou o “alerta” e buzinava, de forma intermitente, para deixar claro que tinha urgência, mas, muita gente nem ligava. Uma mulher chegou a colocar as duas mãos no ouvido, como a indicar que sequer pretendia ouvir aquele grito de socorro. Romeu está convencido de que viveu os piores momentos de sua vida, não apenas pelas dores que só os rins podem causar, mas, especialmente, por perceber o desespero da filha que, na Avenida dos Andradas, chegou a colocar o corpo para fora do carro, e, chorando, pedia passagem para salvar a vida do pai. É pena ter que dizer isso, logo depois da Páscoa, mas, temos de um lado gente que se aproveita da sirene para levar vantagem e, de outro, seres humanos que, ao volante, se transformam ao ponto de negar passagem para uma filha sofrida que só quer salvar a vida do pai. Parece ou não parece historia de primeiro de abril?

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