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Em defesa do promotor

Quero sair em defesa do promotor Francisco de Assis Santiago. E não é porque fui o primeiro repórter a divulgar que ele discordava das apurações...

14/07/2016 às 06:45

Quero sair em defesa do promotor Francisco de Assis Santiago. E não é porque fui o primeiro repórter a divulgar que ele discordava das apurações policiais e pediria o indiciamento de Gustavo Bello, cunhado de Ana Hickmann, pela morte de um fã em Belo Horizonte. Quando vejo todo mundo acusando-o de querer aparecer, de ser insensível, de defender o algoz, sinto-me obrigado a lembrar a história deste homem, o seu caráter e a sua missão como representante do Ministério Público. Sei que as pessoas estão cansadas de impunidade, já não suportam a violência e comemoram qualquer desfecho quando o causador do mal acaba eliminado. Sei também que o caso teve grande repercussão, pela fama da vítima. Mas, como não consigo pensar no mundo incivilizado, peço sua paciência para avaliar as razões de um operador do direito que recusa promoções e vida mais tranquila para continuar no Tribunal do Júri fazendo o que considera certo.

Não questiono as razões do delegado Flávio Grossi. Ele interpretou a legítima defesa na ação de Gustavo, que queria salvar Ana e Giovana, esta, mulher de Gustavo. Até porque, antes de tomar a arma do agressor, Gustavo ouviu o primeiro tiro, que acertou a esposa. Tudo isso se deu em três segundos, ou seja, tudo muito rápido.

Por sua vez, o promotor cita que, após Ana e Giovana deixarem o apartamento, houve luta durante oito minutos, até que Gustavo tomou a arma de Rodrigo Pádua... É aí que há discordância: o primeiro tiro foi dado com Rodrigo em luta e os dois seguintes com ele já desfalecido... Tiros na nuca. A juíza Amalin Aziz Santana disse que a denúncia observou estritamente os requisitos exigidos pelo Código de Processo Penal.

Então, meus caros, penso que devíamos estar comemorando que fato tão rumoroso e envolvendo gente importante tem um tratamento adequado nos trâmites da Justiça mineira. Ora, se o delegado viu legítima defesa, fez o trabalho dele; o promotor duvidou, fez o dele; a juíza sumariante não viu erros na denúncia e a aceitou, até porque o acusado terá amplo direito de defesa. Não há uma condenação de Gustavo. Assim, se o caso chegar ao júri, ele terá todo o tempo e todos os elementos para se defender. Os jurados decidirão com tranquilidade e independência.

Quero fazer duas perguntas aos críticos do promotor: qual o prejuízo que ele causa à sociedade fazendo os questionamentos? Não fossem homens assim, destemidos, atentos e zelosos pelo seu mister e nós poderíamos repetir a famosa frase de que não há crime perfeito?

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