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Em cima do muro

Na sexta-feira da semana passada um ouvinte mandou a mensagem de voz pelo WhatsApp: “Desce do muro, Eduardo!”. Fiquei atordoado...

22/03/2016 às 12:59

Na sexta-feira da semana passada um ouvinte mandou a mensagem de voz pelo WhatsApp: “Desce do muro, Eduardo!”. Fiquei atordoado, disse que não havia por que me posicionar contra ou a favor do governo Dilma, e segui em frente. Nos dias que se seguiram, aprendi respostas muito mais qualificadas e convincentes para o ouvinte, cujo nome é Valdemar.

No sábado, participei de um encontro de mídias em São Lourenço e lá estava o grande Zuenir Ventura que, em dado momento, afirmou: “O jornalista não tem camisa; não deve vestir a camisa deste ou daquele time, deste ou daquele partido; o jornalista não deve vestir a camisa nem da empresa em que trabalha, mas, sim, se posicionar em cima do muro para que, de lá, possa contemplar os dois lados”. Fiquei estupefato com aquela simples e rica resposta que poderia ter dado ao Valdemar.

Na segunda-feira, recebi do amigo Luís Borges texto muito legal da Eliane Brum sobre o momento em que vivemos e, em determinado trecho, ela sentenciou: “Recusar a polarização, não aderir a um lado nem ao outro, não é ficar em cima do muro: ao contrário, é posição”.

Agora, fortalecido por argumentos irrefutáveis, quero agradecer ao Valdemar pelo questionamento... São ouvintes, leitores e telespectadores que vão além de aceitar nossa mensagem os que mais contribuem com o crescimento profissional do jornalista, pois nos obrigam a pensar, buscar uma resposta que convença não apenas ao inquiridor, mas a nós mesmos. E é exatamente isso que devo dizer a quem quiser saber: estou em cima do muro, com todas as letras.

De um lado estão os que defendem o governo petista. E têm sim razão quando comemoram a retirada de 36 milhões de brasileiros da situação de extrema pobreza, que houve aumento expressivo do salário mínimo (262% em 12 anos), com 72% de reajuste além da inflação e dezenas de milhões ascenderam a nova classe trabalhadora, que pobre passou a andar de avião, que muitos humildes tiveram mais direitos trabalhistas (confirmem com as empregadas domésticas), que mais pobres tiveram sim aumento de renda, a casa própria chegou para muitos, foram criadas 18 universidades, pobres chegaram à faculdade e alunos de escola pública tiveram mais chance de chegar a um curso superior.

Do outro lado estão os que querem Dilma fora e Lula na cadeia. E têm sim razão quando lamentam a roubalheira desenfreada que não foi inventada pelo PT, mas ganhou corpo, forma e cinismo exatamente com os que juraram por 30 anos fazer diferente. Durante o “mensalão”, Lula só dizia que não sabia, não via e não ouvia; no “petrolão” ele só abre a boca para acusar a mídia, os golpistas e os meninos promotores de perseguição quando poderia, apenas, explicar de vez sua presença naquele sítio de Atibaia e sua participação na reforma do apartamento do Guarujá.

Se Dilma vai cair, não sei, mas seguramente o Congresso que vai destituí-la carece de moral porque é comandado por um Renan de folha corrida volumosa e um Eduardo Cunha que dispensa comentários. Como gostaria de acreditar que, com Dilma fora, teríamos um líder capaz de fazer a transição, devolver o Brasil aos trilhos. O problema é que o país está aplaudindo Jair Bolsonaro...

Estou em cima do muro. E, pelo visto, não desço tão cedo; afinal, daqui exerço o princípio básico do meu trabalho que é considerar o fato... E qualquer fato tem, no mínimo, duas versões. 

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