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Efeito “Blasé”

A primeira reação humana é de espanto: como pode uma mãe esquecer uma filha no carro? Muitos dirão: a dona deve estar passando por momentos muito difíceis, talvez depressão, quem sabe até tomando remédios fortes...

19/12/2014 às 09:37

Clarisse Ferreira Ribeiro, de 1 ano e 11 meses, foi encontrada sem vida na cadeirinha do automóvel. De acordo com a polícia, a mãe saiu de casa para levá-la ao berçário, antes de seguir para o trabalho, mas acabou indo direto trabalhar e esqueceu a menina no carro. A criança ficou trancada no veículo por aproximadamente cinco horas. A primeira reação humana é de espanto: como pode uma mãe esquecer uma filha no carro? Muitos dirão: a dona deve estar passando por momentos muito difíceis, talvez depressão, quem sabe até tomando remédios fortes... 

Os comentários serão os mais variados, mas, uma coisa ninguém discute: a vida dessa mulher, de 36 anos, está definitivamente comprometida pelo sentimento de culpa. E isto basta para se dispensar todas as reflexões que não levem à sincera oração para que ela tenha forças e siga em frente, cuide de outros filhos, realize-se, seja feliz. Quando indagado sobre as possíveis causas, o sargento que atendeu a ocorrência disse:
“Geralmente era o pai que fazia, deixava a criança no período da manhã e buscava também. E ela quebrou essa rotina, pelo fato de o marido estar viajando, esqueceu a criança dentro do veículo e foi trabalhar; levar a vida dela normal”.

Os mais apressados então dirão: aí é que não dá mesmo prá aceitar, pois, se houve alteração da rotina, como esquecer a filha no carro? Amigos, do pouco que conheço dos quatro grandes mestres da Sociologia o meu preferido é o alemão Simmel e, com ele, aprendi a consequência mais grave da cidade grande. Ele escreveu, quase 100 anos atrás quando, evidentemente, as cidades não eram tão grandes, tão densamente povoadas, não havia tantas luzes, faixas, cartazes, tantos computadores, celulares e essa parafernália da nossa vida:

“A impessoalidade, traço marcante do homem metropolitano irá produzir uma característica essencialmente metropolitana: a atitude blasé. Essa atitude é consequência do homem urbano ser massacrado com um turbilhão de estímulos ou acontecimentos quotidianos, aos quais depois de certo tempo deixa de reagir, sofrendo uma espécie de anestesia, que faz com que ele não se espante com nada, tenha uma atitude distanciada, um embrutecimento produzido pelo excesso de estímulos nervosos.Não escapando desse meio conturbado e intenso, o homem metropolitano não encontra forças e nem tempo para se recuperar”.
Que Deus nos proteja!

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