Eduardo Costa

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O poder da simplicidade

01/01/2022 às 12:46

Minha primeira entrevista do ano foi com ela. Laurina nasceu pobre. A mãe veio para a capital, em busca de qualquer sonho. Sobrou catar papel na rua. Laurina, ainda menina, foi escalada para tomar conta dos irmãos menores.

Sem escola, sem respiro, sobrou para Laurina herdar a profissão – ou seria meio de sobrevivência? – da mãe. Nenhum dos irmãos passou disso – catadores. Agora, Laurina tem dois filhos: o de 22 não escapou do papel e dos bicos. Para a de 9, há esperanças. A mãe exige escola todo dia, orienta, pede atenção às oportunidades, mas, no fundo, sabe que passos mais ousados como a faculdade não estão no horizonte.

Laurina tinha tudo para ser uma pessoa triste. E revoltada. No entanto, é só gratidão. Principalmente, porque conseguiu emprego de gari em empreiteira da SLU, como coletora de materiais recicláveis. Não é fácil. Todo dia, monta num caminhão e sai pela cidade, correndo, recolhendo, vencendo dezenas de quilômetros. No caminho, encontra gente simpática, que oferece água, café, banheiro, até abraço. Mas, também, conhece a indiferença, a invisibilidade e, não raro, grosserias. Mil e quinhentos reais por mês.

Não reclama. Ama o que faz, distribui sorrisos o dia inteiro. A propósito, perguntei a ela o que faria se ganhasse os 370 milhões da “mega da virada” e respondeu que trataria dos dentes. Quer melhorar a comissão de frente para continuar desfilando seu enredo de fé, esperança e gratidão.

E ela não é exceção. Enquanto a esperava, no galpão da ASMARE da rua Ituiutaba, observava o mesmo astral dos colegas. E lembrava um colega jornalista que, esperando ônibus no bairro Santo Antônio, não se dirigiu ao gari e perguntou:

-Por que vocês ganham tão pouco, são chamados lixeiros, correm o dia inteiro atrás desse caminhão e são tão felizes?

Com o saco nas costas e o passo apressado, o gari respondeu: “O senhor precisa conhecer a realidade lá do aterro, com crianças e idosos revirando esse lixo que levamos e caçando algo para comer”.

No ano que começa, a gente precisa conversar mais com os humildes. Eles curam tristezas, depressões, frustações, baixam nossa bola e mostram que, com simplificação, a vida é mais fácil... E feliz!

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