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E quando a Copa acabar?

Bem sabe o caro leitor que não sou economista e, portanto, devo medir as palavras antes de assustar os outros.

07/07/2014 às 11:09

Bem sabe o caro leitor que não sou economista e, portanto, devo medir as palavras antes de assustar os outros. Mas, com a responsabilidade de quem ajuda as pessoas a refletirem quero multiplicar os avisos de muita cautela com as compras a prazo. O que vem por aí não é animador. Um amigo me disse que determinada revenda de automóveis que vendia, em média, 180 carros por mês conseguiu emplacar apenas 18 em junho. Dez por cento. Você pode até lembrar que o ministro da Fazenda prorrogou a alíquota reduzida do Imposto sobre Produtos Industrializados para veículos até dezembro, alegando intenção de estimular as vendas no setor. Fico com os que classificam tal medida de equívoco, na medida em que o IPI é a base do Fundo de Participação dos Municípios – principal fonte de arrecadação da esmagadora maioria das cidades e, com menor arrecadação, transfere-se o problema para os prefeitos, em médio e longo prazo.

E o pior é que o problema não se resume ao setor automotivo. Outro amigo queixa-se de que sua ótica faturou 40 por cento a menos no mesmo mês. A constatação é generalizada, até porque, numa conta rápida, sete dias foram perdidos ou tiveram ritmos diferenciados de funcionamento do varejo por conta da Copa. Procure um comerciante da Savassi e pergunte se alguém, além dos bares e restaurantes, está feliz. Converse com representantes da indústria (que teve crescimento negativo nos últimos três meses), do setor de serviços – pessoal de academia, por exemplo.

E não apontemos o mundial de seleções como responsável por temos de baixa. O clima ruim vem de algum tempo. Lembremo-nos, por exemplo, dos números de março, levantados pelo IBGE. Sete em dez atividades do varejo tiveram redução nas vendas, aí incluídos alimentos, combustíveis, automóveis, informática e até materiais de construção. Foi o pior mês de março desde 2003. Os entendidos dizem que a inflação eleva os juros e, por medo da inadimplência, os bancos reduzem o crédito, limitando o apetite do consumidor. Isto sem falar que mais de 60 por cento das famílias brasileiras estão endividadas com o cheque especial, o cartão de crédito, etc.

Por enquanto, estamos tapando os buracos na caixa d´água porque é tempo de Copa. Depois, teremos um período de faz de contas, pois, o que realmente importa é vencer as eleições, mas quando 2015 chegar só os cautelosos terão nervos no lugar. Não se trata aqui de palpite incendiário; é só observação de quem, por força da profissão, fica de olhos e ouvidos em pé quando os encarregados de prever o futuro falam de macroeconomia. E, com alguns anos de estrada, qualquer um de nós sabe que o político não se acanha de passar o abacaxi adiante... Exemplo? Dois 8 mil quilômetros de pavimentação prometidos para as estradas de Minas só 42  foram concluídos até agora. As máquinas pararam até na duplicação da rodovia que liga Neves a Belo Horizonte.

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