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É preciso falar sobre suicídio

Sem repercussão correspondente à importância do tema, está sendo colocado à disposição dos brasileiros o livro que deveria gerar um debate nacional sobre o suicídio, uma das causas de mortes jovens tanto nos países desenvolvidos como nos emergentes.

17/06/2013 às 01:04

Sem repercussão correspondente à importância do tema, está sendo colocado à disposição dos brasileiros o livro que deveria gerar um debate nacional sobre o suicídio, uma das causas de mortes jovens tanto nos países desenvolvidos como nos emergentes. Em “O Suicídio e sua Prevenção”, o psiquiatra José Manoel Bertolote revela que a taxa de suicídio entre adolescentes e jovens aumentou pelo menos 30 por cento nos últimos 25 anos e, o que é mais grave, nós nos recusamos a falar sobre o assunto.

Eu fui informado, ainda no começo da profissão, de que não deveria divulgar o suicídio. Não que houvesse proibição legal, censura (a palavra greve, por exemplo, não podia ser pronunciada), mas, algum tempo antes haviam feito uma espécie de pacto entre jornalistas policiais acreditando que a divulgação poderia motivar pessoas já propensas. Obedeci, mas, sinceramente, nunca me conformei.

Outra coisa que sempre me deixou com a pulga atrás da orelha é a recepção de familiares de uma pessoa vítima de suicídio… Eles sempre partem para cima dos repórteres os xingando de todos os nomes feios, a começar por urubus, quando, na verdade, muitas vezes o fato acaba de acontecer e a polícia ainda não pode assegurar que se trata de autoextermínio. O certo é que o problema está latente e, embora tenha obtido bons números da economia, nos últimos anos, o nosso país vê crescer a lista dos que não encontraram forças para segurar a barra.
O tema é tabu na imprensa, entre os familiares de vítimas e até entre os médicos – alguns acham mesmo que perguntar uma pessoa se ela já tentou ou se sente desejo de se matar pode representar estímulo para quem tem propensão. Há os que pensam diferente, pedem discussão a respeito e, sobretudo, o ataque às causas: depressão, vazio existencial, falta de lutas e bandeiras ideológicas e a pressão exercida pelas redes sociais nas quais todo mundo se sente obrigado a estar feliz.

O estudo que resultou em livro aponta que 26 pessoas morrem todo dia no Brasil, vítima do suicídio. E, para os que julgam tais números fruto de terceiro mundo vale lembrar que, na frente do Brasil, em casos de autoextermínio, estão países de cultura muito diferente como Cazaquistão e Ucrânia, mas, sinônimo de riqueza e vida protegida, como o Japão, a Finlândia e a Grécia. Eu tenho uma ideia: a gente podia criar um CVV (Centro de Valorização da Vida) especialmente para os adolescentes, na linguagem deles, com os que conhecem sua dor.


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