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A sujeira e as doenças

'é preciso adotar tolerância zero em relação a sujeira na cidade...'

Divulgação PBH

Quem de nós não levou broncas lá pelos 8 anos de idade quando não queria tomar banho? A minha mãe sempre acrescentava à advertência: “Pobreza é uma coisa, porcaria é outra”.

Quem de nós nunca ouviu um médico dizendo da relação direta entre a falta de saneamento básico e excesso de lixo nas cidades com a proliferação de doenças? Então, o que estamos esperando para um grande mutirão de limpeza em Belo Horizonte, Ribeirão das Neves, Santa Luzia, enfim, nas 34 cidades da região metropolitana?

A dengue segue fazendo vítimas em Minas Gerais. O número de mortes em decorrência da doença já chegou a 21, sete a mais do que o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG) dia 22 deste mês.

Vale ressaltar que não significa que os casos aconteceram neste intervalo de tempo. A situação pode ser ainda pior. Ainda estão sendo investigados outros 66 óbitos. O número de casos prováveis – que engloba os confirmados e os suspeitos – já ultrapassam 165,8 mil.

É claro que também há relação direta entre a sujeira e a pobreza; afinal, as pessoas vivem nas ruas e as consequências são conhecidas. Tanto que o prefeito Kalil assinou ontem dois decretos com medidas para fazer face ao aumento de 11 por cento no número de famílias no cadastro de situação de extrema pobreza na capital. Vai dar R$ 100 por mês e garantir funeral gratuito para quem não pode pagar.

Juntando as duas pontas temos de tomar providências em longo e curto prazo. As de efeito mais demorado dependem da economia, de ações no governo federal e, no que nos toca, votar cada vez melhor e cobrar de nossos representantes postura condigna.

Para já precisamos tornar nossas cidades habitáveis. E aí entro em um assunto que vai render polêmica: é preciso adotar tolerância zero em relação a sujeira na cidade. Reparem que não falei em limpeza. O problema é a sujeira. Todos temos de ajudar… Nada de estacionar na rua, jogar papéis e tudo o mais na calçada, nem de ocupá-la indevidamente: isso vale até para os moradores em situação de rua que, na minha opinião, têm sim o direito de ir e vir e não se estabelecer, com móveis e utensillios. Neste caso, cumpre ao município oferecer alimentaçao e abrigo aos desvalidos.

No mais, é tolerânia zero contra a porcaria. E é prá já.