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E ninguém vê isso?

E ninguém vê isso?

A cena se repetiu na noite de segunda-feira: o soldado Thiago Augusto da Silva, da PM, apreendeu, pela segunda vez, em menos de uma semana, dois adolescentes, de 11 e 16 anos, enterrando maconha no “Aglomerado da Mina”, em Justinópolis, município de Ribeirão das Neves. Até a quantidade aproximada de droga era a mesma – 200 gramas de maconha. Se a frustração do militar era grande (afinal, está fazendo trabalho de enxugar gelo), pior foi quando a mãe chegou. Primeiro, lamentou o fato de estar completando 35 anos e não ganhar o presente mais sonhado: os filhos longe das drogas. Afinal, além desse menino de 11 anos, tem outro, de 16, também envolvido com o tráfico. E, se a polícia espera providências da parte dela, pode desistir. Ela também quer ajuda: “Eu queria muito que as autoridades aplicassem uma medida sócio-educativa para tratar deles porque eu não dou mais conta. Tenho de trabalhar e, quando chego em casa, sempre tem uma novidade, cada vez pior. Tenho outro filho de 18 anos que é evangélico e mais um de 9, que já começa a me desobedecer e perder o interesse pela escola”. Como é sempre repetido em situações como essa, os dois menores problemáticos são frutos de uma relação com outro homem que não o atual companheiro e que já desistiu dos filhos há muito tempo. É impressionante como o roteiro é o mesmo: paternidade irresponsável, crianças abandonadas, adolescentes irados, drogas, violência, assassinatos e mortes. E, embora não faltem discursos, especialmente nessa época de campanha eleitoral, ninguém age para valer na responsabilização dos pais, na preservação da família e no combate às drogas. Que droga!