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É muito governo na vida da gente!

É muito governo na vida da gente!

06/05/2013 às 02:13

Se o analfabeto político (na sábia visão do dramaturgo Bertold Brecht) é aquele que estufa o peito e diz que não vota em ninguém, que não liga para o processo de governança e está convencido de que todos os homens públicos são ladrões, o equivocado social é, provavelmente, aquele que reúne gente em torno de uma mesa para dizer que é firme em suas convicções e não muda de opinião. Nunca. Eu não sou poste. Logo, mudo sim... É só alguém me mostrar outro caminho, me convencer ou, no mínimo, me obrigar a refletir.

Um exemplo: até semana passada, achava irretocável a lei que proíbe fumar em locais públicos ou privados de frequência coletiva copiada por nós, mineiros, de países desenvolvidos. Bastou uma conversa de dez minutos com o economista e escritor Rodrigo Constantino para eu ficar balançado. Ele é referência entre os que atuam no mercado financeiro e sustenta que o Estado brasileiro se intromete demais na vida do cidadão. No caso do cigarro, afirma que não devíamos ter leis a restringir. Se, numa mesma rua existem quatro bares, que um seja apropriado para fumantes e não fumantes, outro proíba o fumo e o último coloque placa do tipo “apenas nessa área você pode fumar”.

Mesmo para quem como eu que fumou 30 anos e sabe bem o mal que o cigarro faz, parece razoável você deixar para o empresário e sua clientela decidirem. Por que o poder público intervir, seja através do legislativo, executivo ou judiciário? As palavras do Rodrigo ficaram mais fortes em minha cabeça depois que li a noticia de que o Congresso Nacional aprovou projeto de um ex-deputado determinando que roupas íntimas tenham de ser vendidas com etiquetas que alertarão contra câncer de mama, de colo de útero e de próstata.

Mesmo alguém como eu que se curou da próstata recentemente não pode achar razoável que todas as cuecas sejam vendidas com lembrete sobre a doença... Quando a gente vê coisas desse tipo, à primeira vista nosso cérebro é tomado por uma confusão entre duas impressões: bobagem ou tortura. Fico pensando sobre o cidadão que conseguiu, finalmente, levar para a cama a moça com a qual sonhou por anos e, quando tudo parece favorável, o melhor dos climas, ele retirando carinhosa e cuidadosamente a calcinha que separa o desejo do paraíso e lá está escrito algo mais ou menos assim: “Faça visitas regulares ao médico para evitar o câncer de colo de útero”. Como a vontade supera detalhes numa hora dessas, ele prossegue e, ao retirar a própria cueca, lá está estampado: “Cuidado com o câncer de próstata”. É ou não é de tirar o tesão?

Campanhas de conscientização são importantes, mas, até elas têm sua hora. E, ademais, a gente não aprende com alertas ou discursos. A gente aprende é com exemplos: como aquela gente que tem o hábito de colocar dólares na cueca vai agora decidir o que escrever na minha?

Portanto, senhores congressistas já basta o que os senhores aprontam, nos tirando do sério, diminuindo nossa libido, às vezes até nos fazendo sentir violentados... Deixem-nos fazer em paz a única coisa pela qual ainda não pagamos impostos!

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