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E a legalização da maconha?

“Querem nos fazer crer que fumando maconha estamos tratando algumas doenças. Tais argumentos já foram usados em outros tempos..."

14/04/2014 às 10:34

Por iniciativa de Alan de Freitas Passos, que preside uma associação acadêmica de psiquiatria, foi realizado no último sábado um debate sobre a legalização da maconha no país. Encontro dos mais interessantes reunindo pessoas realmente especialistas no assunto e uma certeza: há rejeição da classe médica à tese da aceitação, em termos oficiais, da produção, distribuição e uso da erva. Um dos presentes, o coordenador do Centro de Referência de Drogas da UFMG, Frederico Duarte Garcia, apresentou palestra com o título “Da guerra do ópio à legalização da maconha: dois séculos de experiências e argumentos para fomentar o debate”.

 É claro que uma polêmica de 200 anos não acaba em uma conversa de duas horas, mas alguns argumentos foram contundentes. Valdir Ribeiro Campos, por exemplo, com sua experiência de membro da comissão que trata do tema na Associação Médica, atribuiu as atuais discussões ao momento em que uma “pequena minoria subsidiada por interesses econômicos tenta a legalização”. E foi além:

“Querem nos fazer crer que fumando maconha estamos tratando algumas doenças. Tais argumentos já foram usados em outros tempos. E, atualmente, poderíamos relembrá-los dizendo também que consumir álcool é bom para a saúde, já que relaxa, dilata as coronárias e nos faz dormir. Fumar tabaco é bom para a saúde porque é um estimulante, nos deixa mais animados, alivia a tensão, melhorar a memória. Apesar disso, ser uma verdade sobre aspectos de ação de uma substância em algumas áreas cerebrais, vivemos dezenas de anos com campanhas no mundo inteiro voltadas ao combate aos danos incomensuráveis causadas pelo consumo dessas substâncias no organismo, ambiente e saúde pública. É fato histórico que o consumo de tabaco matou mais pessoas no planeta do que qualquer guerra ou epidemia no século passado. O alcoolismo é responsável por inúmeras doenças e elevados custos para os sistemas de atendimento em saúde e previdência social. Valeu a pena legalizá-la? Quem ganha com isto? Fumar maconha relaxa e dá prazer. Mas, as 400 substâncias tóxicas são saudáveis para a saúde? Talvez seja pior fumar tabaco, que tem 4.700 substâncias tóxicas.”

Os psiquiatras – especialmente Frederico Garcia – falaram de algo esclarecedor sobre a internação de usuário. Há sempre uma divisão clássica entre internações compulsórias e voluntariarias. Muitos não toleram a tal história de que o cidadão tem de querer se tratar, pois, quem está no fundo do poço com as drogas normalmente não tem força de vontade o bastante. Mas, os médicos explicam que se pode fazer a internação involuntária, aquela solicitada pela família e autorizada por médico. Discordam é da compulsória, ordenada por juiz. Enfim, o mais importante é discutir. Buscar uma saída. O momento é grave e o amanhã de arrepiar.

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