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Doze mortos, 190 milhões de feridos

Doze mortos, 190 milhões de feridos

06/05/2013 às 02:13

Esta manchete, publicada no “Diário de Pernambuco” no dia posterior à tragédia de Realengo, no Rio de Janeiro, é o melhor resumo que se pode fazer sobre a ação inacreditável daquele maluco contra crianças inocentes. Deixei passar alguns dias para escrever a respeito – não tinha motivação, temia exagerar nas avaliações (e previsões) e precisava ouvir as primeiras reações das autoridades brasileiras.

Pois vos digo, caros amigos e ouvintes da Itatiaia, com os quais tenho tido uma convivência honesta ao longo dos últimos 26 anos, que o pior dessa história não é o que nós, da tal mídia, mostramos exaustivamente dilacerando corações de milhões de brasileiros. O pior é o que não foi dito. A primeira verdade é que nós, do rádio, do jornal, da Internet e, principalmente, da TV, devíamos ter mais juízo ao tratar desse assunto.

Fosse eu uma autoridade da imprensa brasileira já teríamos feito um grande encontro para tratar de uma “convenção” pela qual ficaria estabelecido que, doravante, quando outro maluco repetir Wellington, os veículos iriam divulgar tudo sobre o fato, o local, as vítimas, o desenrolar das ações, mas, nada, nada sobre o autor – sequer o nome.

Penso que infelizes como aquele podem se sentir motivados a repetir sua idiotice para ganhar, na hora da morte, os 15 minutos de fama que todos sonhamos durante a vida. Alguém vai dizer: mas, como, se o cara vai morrer, por que vai querer aparecer? Porque estamos falando de mente doente, que tem métodos de raciocínio diferentes dos nossos.

Então, assim como no passado se convencionou não divulgar suicídio (e não há proibição, como muitos pensam), eu queria muito que a gente repetisse. Para não estimular. Outra coisa que ninguém destaca, mas ouvimos da boca do povo e é verdade, apesar de absurdo: se aquele Wellington tivesse atingido alguma casa de políticos, houvesse executado gente que detém cargos públicos, se tornaria herói de muitos brasileiros.

E, mais uma coisa: se antes a gente convivia com o crime contumaz, com a roubalheira e a ineficiência da máquina publica, pelo menos comemorávamos o fato de estarmos livres de desastres da natureza e ação de malucos mais estruturados. Agora, depois de Realengo, não falta mais nada. Que Papai do céu nos guarde...

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