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Agora quem fica com o olhar no teto sou eu. Será mesmo necessário fazer a filha passar por isso, impor normas de comportamento tão severas, considerando as provas finais?

24/11/2014 às 09:49

No intervalo do jogo, hora de fazer xixi. No corredor, a porta aberta, é impossível não mexer com a caçula. E ela está lá, sentada na cama, com o olhar no teto, em outro mundo. Incomum. Sara tem um astral elevadíssimo e, se não está sorrindo com algo na internet, mostra-se alerta e feliz. Parecia deprimida... O que foi? Pergunta o pai preocupado. “Só aqui pensando...”. Claro que não fico satisfeito, vou ao outro quarto e conto para a mãe que, de pronto, explica: “É o celular”. Aí então entendo a falta que o grande amigo dos adolescentes faz naquela noite quente; afinal, é por ele que vê “Porta dos fundos” e algumas series americanas, que devora capítulos de series americanas, além, é claro, de nunca se desligar dos amiguinhos.

Agora quem fica com o olhar no teto sou eu. Será mesmo necessário fazer a filha passar por isso, impor normas de comportamento tão severas, considerando as provas finais? Mas, o ato de pensar não implica em qualquer reação imediata de desaprovação à medida adotada pela mãe. Ao contrário, temos um pacto há 33 anos de que quando um corrige o outro – ainda que discorde – fica quieto. Se tiver de contrapor, que o faça depois, para nunca um desautorizar o outro e, assim, confundir a cabeça da criança ou adolescente. Não demora muito e minha alma já assimilou tudo, admitindo que a necessidade de passar por esses momentos. Afinal, a menina tem menos de 14 anos, com os hormônios à flor da pele, amizades em alta e um colégio dos mais difíceis a vencer. Se quiser ir adiante, de preferência sem a recuperação, que é um castigo muito maior para os pais, tem de fazer um esforço extra. A propósito, no instante em que filosofava, veio-me à lembrança de que em igual ocasião, recentemente, a própria filha concordara com a atitude da mãe, assegurando que assim podia se “concentrar mais” nas matérias.

Por que divido essa experiência? Porque penso que posso ajudar a um pai mais jovem, ainda sem a convicção de que certas medidas, embora doídas, são necessárias. Digo-vos sem pestanejar: a maior verdade é a de que pé de galinha não mata pinto. A gente tem de evoluir, junto com o mundo; assim, meu pai apanhava de porrete, me batia com cinto, na mais velha dei palmadas e com a caçula vou à conversa... Ordem, respeito ao próximo e cuidado com os livros, sempre! Deu certo com a Fernanda, que está alçando voos próprios e não será diferente agora. A receita é o amor responsável. O que, infelizmente, muitos jovens não têm... Como doeu, na sexta-feira, anunciar a execução, com nove tiros, de uma moça de 16 anos que, cinco dias antes, fora apreendida após participar de um sequestro relâmpago com refém... Não houve punição, voltou para a rua e virou estatística... A mãe e o irmão provavelmente não foram ao enterro porque estão presos. Fecho as reflexões com a lembrança do que disse frei Jaci, lá do Colégio onde estuda a Sara: “Estudar não mata ninguém; o que mata é droga”. E acrescento: falta de fé e família também.

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