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'Do jeito que tá, não dá!'

As associações de oficiais e praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros realizam amanhã um seminário sob o título “Ciclo Completo de Polícia e Eficácia da Persecução Criminal".

17/02/2014 às 09:51

As associações de oficiais e praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros realizam amanhã um seminário sob o título “Ciclo Completo de Polícia e Eficácia da Persecução Criminal”, quando estudiosos, policiais civis e militares e deputados vão participar de um esforço para incluir o tema na agenda dos formuladores de políticas públicas de segurança, bem como da imprensa, ministério público, judiciário e sociedade civil. O principal organizador, o subtenente Luis Gonzaga, não apenas me intimou para um dos debates como deu o título acima para meu painel. De fato, ele me conhece. Sabe que minhas informações acerca do ciclo completo são insuficientes para formar juízo, mas, assim como apoio a tentativa desesperada do Uruguai em relação às drogas, sou a favor de qualquer discussão que possa resultar em mudanças no trato da insegurança pública que vivemos. Qualquer coisa é melhor que ficar do jeito que está.

O ciclo completo consiste na extensão da atribuição da corporação policial nas atividades repressivas de polícia judiciária ou investigação criminal, da prevenção aos delitos e manutenção da ordem pública. A maioria dos países já adota o modelo, sendo que em alguns deles, como Portugal, México e Chile há também corporações de polícia judiciária independente, com competência restrita e para a investigação de infrações penais especiais. É como se a gente tivesse o ciclo completo em Minas, mas, em se tratando de homicídio, latrocínio ou sequestro, por exemplo, houve equipe especial para esses casos.  Sabemos que a mudança não será fácil, terá de vencer resistências e mudar a Constituição, mas, considerando a extensão territorial de nosso Estado e a carência de efetivo é inadmissível o modelo atual, quando um carro da PM viaja horas para registrar ocorrência em delegacia de município vizinho ou passa a madrugada na porta da Central de Flagrantes da capital.

Os cidadãos reclamam, o repórter procura o prefeito que transfere o assunto para o governador; este diz que a repressão deveria começar nas fronteiras do país e Brasília precisa mandar mais dinheiro; por sua vez, o governo federal denuncia que recursos para construção de penitenciárias foram devolvidos por falta de projetos e que faz o que pode. As corporações, sob o comando da política, usam a frase mais antiga do mundo (“a situação está sob controle”) e seguem adiante, com seus chefes contando os dias para passar o pepino adiante. O coronel se aposenta com 30 anos de serviço e quase sempre menos de 50 de idade, o delegado também, o juiz quer mais privilégios, os processos emperram e a gente se vê sozinho na multidão. As pessoas se desesperam, deixam de registrar ocorrência, não confiam mais na polícia, os ladrões assumem as ruas e a criminalidade avança de mãos dadas com o tráfico de drogas e os maus exemplos de boa parte dos políticos. Os mesmos que nunca decidem se isso implicar em desagradar alguém porque, afinal, temos eleição ano sim, ano não. O que fazer não sei. Quero discutir. Do jeito que tá não pode ficar. 

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