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Diferenças inexplicáveis

Nada me aborrece mais no futebol que essa conversa fiada de poupar jogador. Os técnicos de futebol – maiores inventores que a humanidade já...

Nada me aborrece mais no futebol que essa conversa fiada de poupar jogador. Os técnicos de futebol – maiores inventores que a humanidade já produziu – reclamam de falta de tempo para treinar e, quando ganham a oportunidade de testar o conjunto, insistem na escalação de times que já foram chamados de misto e agora são alternativos. Esse Aguirre é imbatível em substituir mal e entrar com time reserva na hora errada.

O exemplo do último domingo é dos mais doídos em nós, atleticanos, porque ele coloca o nosso melhor jogador, recém-operado, e poupa uma defesa inteira que, sabemos, carece de jogo e mais jogo porque não nos passa a menor segurança. O Marcos Rocha (apesar de os verdadeiramente cronistas esportivos pensarem diferente) é, para o corneta aqui, razoável no apoio e inexistente na marcação. O Douglas, que parece ter futuro, estava irreconhecível contra aquele time de pelada do Equador. Já Leo Silva e Erazo nos dão um susto a cada jogada do adversário, revelam-se lentos por baixo e pelo alto... E estão descansando.

Com certeza, alguém está pensando agora: como pode esse moço que não frequenta centro de treinamento, não conhece medicina esportiva e nem estudou fisiologia ficar aí falando asneiras. Falo por comparação. Vejo o melhor time do mundo jogar duas vezes por semana e, quase sempre, sem um ou dois jogadores, mas, com o núcleo sempre presente. Então, se Messi pode jogar a temporada inteira por que temos de entender tanto descanso para o time que, quinta passada, lá no Equador, parecia um monte de desconhecidos, peladeiros desinteressados, apáticos...

Outra comparação, que posso fazer depois de ouvir, na noite de sábado, o amigo João Vitor Xavier, ao vivo, de Brasília, entrevistando os jogadores do Sada Cruzeiro. Ele bateu um ótimo papo com o Leal, um verdadeiro monstro nas quadras que, na manhã seguinte, espantava o mundo com sua performance. Repetindo: Leal estava concentrado, doze horas antes de começar a decisão, e dava entrevista tranquilamente, Ao lado dele, no mesmo hotel, batendo papo descontraidamente, sua família e as dos colegas. Ah, os adversários também... Todos no mesmo hotel, confraternizando, comemorando o ótimo desempenho na Liga. No dia seguinte, três horas de um jogo espetacular... Sem frescura, sem cara feia.

Voltemos ao Diego Aguirre: o Atlético tem hoje um dos melhores elencos dos tempos recentes, ele escala mal, substitui pior ainda, coloca Carlos César no lugar de Robinho, mantém Patric e tira Cazares, e, quando a gente olha para o túnel, lá está, com mais dois ou três cidadãos de sua confiança, conversando no pé do ouvido, com a mão na boca, como se estivessem lendo direitinho o que acontece dentro do campo. Mas, fazem tudo errado. E lá se foi a Primeira Liga, vexames no Mineiro e a Libertadores...

Por que os treinadores são tão teimosos? Por que, agora que inventaram equipamentos que sondam o “estresse muscular” estão em ação, ficam nessa frescura de poupar jogador? Vez por outra um deles machuca no treino...

O Givanildo, depois do jogo desse domingo, disse que a semana não é o ideal para entrar nas semifinais... Quando é que ele vai ter o time pronto? E, com o devido respeito aos americanos, alguém aí duvida que a permanência na Serie A será muito curta com o atual elenco?

Nunca passei de peladeiro falador, mas, tenho certeza absoluta de que jogador gosta é de jogar. Jogar é uma das maiores alegrias. Vamos parar de complicar e por a turma em campo, para justificar os altíssimos salários...