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Dia do Professor

Dia do Professor

06/05/2013 às 02:13

De todos os deputados com assento na Assembléia Legislativa de Minas, João Leite é hoje o mais apreensivo. Ele confidencia a amigos que tem dedicado boa parte de seu dia a refletir sobre a situação nas escolas.

Na semana passada, como presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembléia, coordenou um seminário que buscava diminuir o medo que acompanha os profissionais do ensino todos os dias quando vão para o batente. Mas, paralelamente, participava das primeiras reuniões com outros colegas sobre a recém-encerrada greve dos professores e, em uma delas, desabafou: “Nós temos de tratar desse assunto com muito cuidado porque eles estão machucados”.

João Leite, por seu passado de “Goleiro de Deus”, de militante na religião, teve a sensibilidade para perceber que, agora, o desafio é maior para a Assembléia que o vivido durante uma paralisação de quase quatro meses. O problema é de matemática: se o governo atender o que pedem os professores, terá um acréscimo de 3 bilhões de reais em suas despesas. E não tem esse dinheiro.

Mas, como dizer isso a um profissional da educação que ganha o insuficiente para garantir o futuro de nossas crianças? João Leite sabe que há um passivo alimentado há décadas, que Itamar Franco – quando governador – abriu a guarda ao distanciar os pisos salariais de professores e profissionais da segurança. Criou-se uma situação concreta em que o soldado ganha hoje mais de dois mil reais, tem a perspectiva de dobrar o salário já em lei enquanto o professor tenta romper a barreira dos mil reais e pede ao governo mineiro que apenas cumpra um piso salarial aprovado pelo Congresso Nacional. Como resolver?

João Leite não sabe. Não me disse isso, mas eu percebo isso, conversando informalmente com ele. Na área econômica da Cidade Administrativa há convicção de que não teremos alterações na proposta já encaminhada à Assembléia por absoluta falta de caixa. Mas, quem terá coragem de dizer isso aos mestres? Quem ousa dizer que os professores não merecem mais salário, mais respeito, condição de trabalho e reconhecimento da sociedade? E como ficará a imagem de governo e deputados se,suspenso o movimento paredista, vierem as reuniões para nada?

Acreditem: nesse momento, o governo não tem condições de dar aumento maior e vai ter de encontrar meios de dizer isso. Mas, acreditem: os professores não vão aceitar essa notícia, porque já estão no fundo do poço, humilhados, sofridos, desesperançados, agredidos, ignorados e até invisíveis. Então, como dizer feliz dia do professor?

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