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Deus dá o frio conforme o cobertor

Era só mais um acidente, destes estúpidos que matam jovens por conta da mistura de madrugada, álcool e volante...

25/05/2015 às 10:31

Era só mais um acidente, destes estúpidos que matam jovens por conta da mistura de madrugada, álcool e volante. Mas, quando os repórteres chegaram à Avenida Antônio Carlos e encontraram aquele ambiente de destruição e desolação, uma surpresa os aguardava: não tardou em aparecer um senhor que se apresentou como pai da vítima fatal. E não se revoltou contra os jornalistas, brigou com o policial ou chamou socorro para esconder o que sobrou do veículo e “preservar a memória” do filho.

Ao contrário, o pai usou os microfones para aconselhar: “Queria dizer que os jovens devem aproveitar a vida, mas, sem tanta pressa; meu filho tinha muita pressa, eu já fui jovem, já tive pressa de viver e não é assim...”. O pai não negou que o filho de 27 anos tivesse bebido, não brigou contra as evidências de alta velocidade, nem reclamou de Deus. Apenas, lamentou a perda do caçula, com a tranquilidade de quem sabe, bem lá no fundo da alma, bem lá onde a carne encontra o osso, que sua missão foi bem cumprida. Não havia nas palavras do pai aquela perplexidade prima do remorso, nem a revolta própria dos que não aceitam os desígnios de forças maiores.

A BMW tinha todos os equipamentos de segurança que a indústria alemã exige, incluindo airbags, mas não foi o bastante para salvar a vida do motorista. Os outros três ocupantes sofreram ferimentos sem maior gravidade. Dá para dizer que chegara a hora do representante comercial que morava na Cidade Nova e voltava de um bar na Pampulha, onde assistira ao jogo do Cruzeiro pela TV com amigos. Alguém pode ponderar que a bebida e a velocidade abreviaram e eu não discutirei. Não faltarão os que dirão coisas do tipo “ainda bem que foi e não levou ninguém inocente junto”. Até mesmo um “bem feito” é capaz de escreverem nas redes sociais. Elas, eu repito, mostram cada vez mais o brasileiro como ele é - nada cordial, apenas irado, com tudo à sua volta, pronto para prender, julgar, condenar e executar.

Quero encerrar como comecei: com a agradável surpresa da reação do pai. Isso é que faz a diferença, nos anima seguir andando, aumenta a certeza de que o todo poderoso só põe nas nossas costas um peso que aguentamos. Afinal, Deus é pai. 

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