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Desigualdade explícita

A hipocrisia brasileira é espantosa. A gente insiste em negar o óbvio e trata o politicamente correto como se fosse nosso habeas corpus para criar eufemismos e seguir andando

03/07/2013 às 09:53

A hipocrisia brasileira é espantosa. A gente insiste em negar o óbvio e trata o politicamente correto como se fosse nosso habeas corpus para criar eufemismos e seguir andando. Dois exemplos. O primeiro é aquilo que o país inteiro viu, mas, quem mostrou não destacou: só havia brancos nas arenas durante a Copa das Confederações. Perdemos uma ótima oportunidade para, no embalo das manifestações que incendiaram as ruas, destacar o ambiente nórdico que cada foto ou filmagem mostrava durante os jogos. E a quantidade de iphones - esses celulares caros que fazem de tudo, inclusive chamar e receber? Ali estava claro que o preço do ingresso selecionou o público, levando para o estádio os ricos e para os telões de praça pública o povão, a fim de garantir boas imagens de uma “união nacional” em torno da seleção. Infelizmente, a verdade é que as elites – incluindo as da mídia – inconscientemente ou não, contribuem para que cada um continue em seu lugar sem passar a mensagem de que somos um país de castas.

O outro exemplo de esquisitice do nosso dia-a-dia está numa notícia que sequer mereceu espaço significativo no noticiário de domingo. Um cidadão chamado Wanderson Adriano Marcelo, de 35 anos, se irritou com um motorista e avisou que estava disposto a incendiar ônibus. Assustado, o profissional chamou a polícia e, para surpresa geral, Wanderson entregou álcool, isqueiro, fósforo e disse, com muita tranquilidade: “Eu ia começar a incendiar os coletivos amanhã (segunda-feira), mas, como o moço me irritou, resolvi começar hoje mesmo; eu vou queimar ônibus para ficar claro que os empresários não podem ganhar muito enquanto só morre favelado”. Disse outras coisas, às vezes desconexas, às vezes com lucidez, assegurando não estar disposto a aguentar as desigualdades sociais. Wanderson foi preso e está sujeito a uma pena de 3 a 6 anos, mas, se conheço bem esse país, em dois ou três meses, estará de novo nas ruas. Para o que der e vier. Se eu disser que o cara é doidão vão aparecer críticos de todos os lados porque, para os especialistas, ele pode ser no máximo portador de sofrimento mental. Se disser que a ameaça dele é gravíssima, que devíamos tratar incêndios de coletivos com mais rigor, como terrorismo mesmo, vão dizer que sou sensacionalista.

Então, vamos em frente. Com o politicamente correto, vendo só o que interessa e esperando o pior. Está chegando a hora de pagar a fatura.

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