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06/05/2013 às 02:13

O leitor Júnio William dos Santos aproveitou a veiculação de texto sobre a questão das drogas, há uma semana, para enviar reflexões sobre o mesmo tema. Publico a íntegra para não deixar claro que a indignação aqui expressada frequentemente não é obra individual, mas fruto do coletivo que me chega por onde quer que vá:

“Vejo-me obrigado a apresentar-lhe um texto que escrevi; a princípio, como uma reflexão indignada acerca da condição de impotência e tristeza quanto ao "circo real" instalado ha tantos anos na (Avenida Antônio Carlos, nos arredores da PPL) e a frustrante condição desumana ou desumanizada a que são submetidas aquelas pessoas, que, sem rostos e nem identidade, seguem dia e noite sendo submetidas a esta vergonhosa e total ingerência de nosso Estado na condução das políticas públicas para o combate ao crack e a "Cracolândia". Um verdadeiro exemplo de descaso e desleixo. Toda a avenida sendo reformada e ampliada e aquelas pessoas ali se drogando todos os dias e noites, por décadas a fio; afinal de contas, será que todos estão cegos, ou eu ando vendo demais? Tenho hoje 30 anos e pelo menos ha 20 anos lembro-me de pessoas ao pé das ruas no entorno da avenida se drogando, e também não me lembro de muitas ações num sentido de melhorar a condição de vida dessas pessoas. É um verdadeiro caos, acentuado pelo atestado de incompetência de vários governos e governantes que passaram pela gerência da Prefeitura de BH e Governo do Estado. O que acontece na Antônio Carlos ha décadas é caso de polícia, pois, chego a pensar que os governantes simplesmente lavaram as mãos e se abstiveram de fazer algo, qualquer coisa em favor daquelas pessoas. Marginalizados e entregues à própria sorte na sarjeta da modernidade deste mundo líquido, onde as estradas, ruas, estádios importam mais do que pessoas. Qual é o papel da polícia naquele contexto? E do Estado? E o meu papel, qual é? Se o que acontece ali é um problema de saúde pública, uma doença social está fora de controle, virou um epidemia e falta, por parte das pessoas que realmente podem fazer alguma coisa, bater no peito e dizerem deixa que eu faço... Façamos juntos, chega!”.

É isso, caro Júnio. Pior que o quadro dantesco é a nossa indiferença, a gente seguindo em frente, ano após ano, fingindo que não vê aqueles “zumbis” do século 21 se acabando. A imagem é tão medonha que fingimos não ver...

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