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Depois do carnaval

Nos dois casos, dá para acreditar que teremos bom futuro? Conseguirá aquele pai cervejeiro granjear o indispensável respeito dos...

Cenário 1 – O pai chega do trabalho e, antes mesmo de retirar os sapatos, é avisado pela esposa que o arroz acabou, o açúcar está quase e chegou a conta de luz que está na bandeira vermelha, portanto, subiu de novo; enquanto se ajeita no sofá vem a filha para pedir um tempinho, uma conversa, considerando que o namorado quer sexo, ela só tem 16 anos, muitas dúvidas, medo, desejos, enfim, precisa de colo; ele então se dirige ao banheiro para um xixi de chegada e dá de cara com o filho mais velho, angustiado, mal satisfeito no trabalho, querendo mudar a rota profissional e ansioso por contar novidades. O pai volta, abre a geladeira, pega uma cerveja, solta o corpo no sofá, coloca os dois pés sobre a mesinha de centro, liga a TV no programa preferido e sentencia: “Estou muito cansado, amanhã viajo cedo, sexta tenho reunião, sábado pelada com os amigos e domingo não é dia de problemas, portanto, segunda-feira a gente resolve”.

Cenário 2 – O país está se esfarelando, o ministro da Fazenda saindo, outros pulando do barco, o presidente da Câmara é acusado de tudo quanto é coisa ruim, o presidente do Senado tem ficha horrorosa, o vice, que chamam de “mordomo de filme de terror”, está de olho no poder e a presidente, perdida, sem saber o que fazer e para onde ir, finge que tem o controle. Aí, o Judiciário diz que vai ao recesso, o Legislativo lembra que descansar é preciso e governadores, prefeitos, vereadores, todos os que têm alguma parcela de poder correm para a praia, em Guarapari ou Miami.

Nos dois casos, dá para acreditar que teremos bom futuro? Conseguirá aquele pai cervejeiro granjear o indispensável respeito dos filhos, a admiração que gera parceria, confiança necessária para trilhar juntos as dificuldades da vida? Quando a filha, solteira, sem concluir os estudos, sem trabalho fixo, sem um companheiro responsável aparecer com um bebê nos braços terá o pai omisso moral para cobrar postura? E o país, o que nos espera para amanhã, em janeiro, no ano de 2016? Como podem esses senhores descansarem, curtirem a alegria das festas e reverenciar o Menino Jesus sem culpa pelo que pode acontecer? Não seria melhor cancelar o recesso, resolver as pendengas políticas, recolocar o Brasil nos trilhos do crescimento para, depois, ficar junto dos seus?

Impressionante como os poderosos vivem num mundo diferente do nosso, de ficção, tratando só do que a eles interessa, ignorando o sofrimento de contribuintes como Ângelo Ferreira dos Santos. Vejam o desabado em trecho do e-mail que me mandou:

“O e-social não permite que o contribuinte antecipe os pagamentos do INSS e FGTS sobre a remuneração do domestic; somente libera o sistema para a emissão das guias bem próximo da época dos vencimentos, geralmente de 10 a 15 dias antes. É uma trava sem sentido. Por exemplo, quando o contribuinte for viajar, por mais de 30 dias, ele não tem como antecipar os pagamentos do INSS e FGTS que vencem no período em que estiver ausente. Isso é um absurdo e falta de respeito com o contribuinte. O contribuinte não pode gozar de suas legítimas férias, uma vez que tem que ficar esperando o e-social liberar o sistema para que possa emitir a guia e pagar o INSS e FGTS. Por que não liberam antes?

Será que o contribuinte não tem o direito de antecipar os pagamentos?”.