Eduardo Costa

Coluna do Eduardo Costa

Veja todas as colunas

Mais Notícias

Depende, uai! (2)

Conforme prometido, estou falando nesta semana de um ditado bem mineiro, o famoso condicionante diante de qualquer indagação mais...

27/01/2016 às 02:30

Conforme prometido, estou falando nesta semana de um ditado bem mineiro, o famoso condicionante diante de qualquer indagação mais complicada. Primeiro, faz-se necessário lembrar que existem infinitas explicações para a origem do nosso “uai”. A que mais repetem remonta o período da colonização, quando os ingleses aqui chegaram para a mineração – especialmente em Nova Lima – e, diante dos desafios do idioma, muitas vezes teriam tentado comunicação através do “why” que é a indagação na língua deles, ou “por quê?” no nosso português. Há também relatos de que seria expressão usada pelos inconfidentes em suas reuniões secretas na antiga Vila Rica; enfim... O que ninguém discorda é que o “uai” quase sempre mistura uma reação de surpresa com necessidade de explicação da resposta e pedido de tempo para rápida reflexão. Resumindo: é a sabedoria mineira, matutando antes de responder, diminuindo assim a margem de erro nas avaliações.

A vida me ensinou que as pessoas públicas - aquelas que têm na fala sua principal matéria prima, especialmente os políticos – criam mecanismos de sobrevivência, diante de situações complicadas. Como entrevistei muito nos últimos 40 anos, fui observando comportamentos. Há aqueles que não titubeiam e são capazes de desmontar o inquiridor com velocidade espantosa... Lembro-me de uma coletiva concedida pelo então prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, que, ainda no aeroporto da Pampulha e abordado de pronto pelos jornalistas, não se apertou diante de uma questão fulminante: “Como é que o senhor se sente virando verbo, já que, agora, “malufar” é sinônimo de roubar?”. Sem pestanejar, o político de folha corrida capaz de inibir qualquer mortal, nem pestanejou e atacou: “Meu filho, dizem tudo, vejam, dizem que você é bastardo e, como eu, que sequer lhe conheço, vou acreditar?” E seguiu adiante, sorridente, como se desfilasse na Avenida Paulista. 

Há também os que não nasceram para a arte de controvérsia, como o já falecido Itamar Franco que, diante de uma pergunta minha sobre corrupção de um assessor, em sua passagem pelo governo de Minas, ameaçou com um soco, sendo contido pelo chefe de seu Gabinete Militar. Mas, de uma forma geral, os políticos, melhor, as pessoas públicas, não têm a coragem de Maluf nem a irritação de Itamar: são educadas, mas só respondem o que querem. Lembro-me perfeitamente de Júnia Marise, que ganhou várias eleições em Minas e, para todas as questões, inevitavelmente começava assim a resposta: “Olha, em primeiro lugar...” Ela estava buscando na memória a melhor resposta e, enquanto não formulava, enrolava com uma ou duas mensagens menores, sem qualquer importância. Em outras palavras, para todo e qualquer problema, Júnia, assim como Tancredo, Alkmin, Francelino, Milton Campos, Anastasia e outros, muitos outros, haverá sempre um “depende, uai!” que é resposta mineira afirmativa sem fechar questão... Uma espécie de em cima do muro profissional. E respeitável porque quase tudo depende de alguns senões, uai! 

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    Pagamento será depositado diretamente na conta bancária informada na declaração. #Itatiaia

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    Primeira-ministra destacou que "fase vermelha não é lockdown"

    Acessar Link