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Depende de nós

Depende de nós

Não há conversa mais chata que essa de nos prepararmos para a Copa do Mundo. Ela será tão rápida, especialmente em nosso estádio, que um esforço de maquiagem no caminho dos estrangeiros resolverá eventuais dificuldades que podem amarelar o sorriso de nossas autoridades. Em verdade, o que a gente precisa providenciar para 2014 é exatamente o que estamos precisando fazer há 20, 30 anos. E é o mínimo: ter um aeroporto decente, tráfego de veículos pelo menos sensato, hotéis de boa qualidade e pessoal treinado, enfim, coisas que qualquer cidade de porte médio do mundo tem. Ah, e se for possível, abrir a cabeça dos que nos governam.

Acaba de sair do forno um belo exemplo de como é simples. O Departamento de Estradas de Rodagem, com o respaldo da Secretaria de Estado de Obras Públicas e Transportes e o apoio da Infraero, realizou uma pesquisa com 2.342 pessoas que representam universo de 164 mil usuários por dia do aeroporto internacional de Belo Horizonte. Os números obtidos só atestam o que já sabíamos, a começar pelo fato de que 3 mil pessoas viajam clandestinamente entre o aeroporto e o centro da cidade todo dia. Por quê? Porque custa menos e os veículos oferecidos pelos “piolhos” são mais confortáveis. Mas, por que os táxis, que cobram em média 103 reais pela corrida até Confins não podem diminuir o preço e liquidar com os clandestinos? Por que os de lá só podem trazer passageiros e os daqui só podem levar...

Negócio absolutamente incompreensível, provinciano, idiota mesmo, só justificado pelo prefeito de Lagoa Santa que, na maior cara de pau, anunciou na Rádio Itatiaia: “Nossos 300 táxis são suficientes para atender os 5 milhões de usuários do aeroporto”. Escárnio. E, por causa da política, da politicagem, não aparece uma autoridade capaz de encará-lo.

Outra revelação da pesquisa: já foi o tempo que aeroporto era lugar de glamour, gente rica... Hoje, a metade dos que passam por lá o faz a trabalho, ganha menos de 5 salários mínimos e não tem mais que ensino médio. Por isso e pela lógica da moralidade, a pesquisa também afirma que ninguém aguenta os preços escorchantes que as lanchonetes cobram em Confins. Muito menos a carência absurda de vagas no estacionamento. Então, caríssimos, ficamos combinados: enquanto a Copa não vem, deixemos de ser pequenos, façamos o dever de casa, viajemos um pouco para ver o quão longe os outros estão e não percamos mais tempo.