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Democracia representativa?

Entre as coisas que mais me impressionam no momento está a indiferença da elite brasileira diante do claríssimo fato de que precisamos reinventar nosso...

12/09/2016 às 03:35

Entre as coisas que mais me impressionam no momento está a indiferença da elite brasileira diante do claríssimo fato de que precisamos reinventar nosso sistema eleitoral, de forma que ele possa recuperar a atenção do principal interessado – o povo. Fiz uma daquelas visitas agradáveis ao Mercado Distrital do Cruzeiro numa manhã de sábado e pude observar a distância entre solitários pedintes de votos e eleitores absolutamente desinteressados. Isso é grave, meus amigos, por estar na raiz da democracia, pela qual tantos lutaram: ela pode ser direta, participativa ou representativa. Ora, direta é impensável para o padrão de civilização nosso e, quem duvidar, é só dar uma reparada em assembleia de condomínio, os palavrões, a falta de paciência para imaginar como seria um encontro do contribuinte com o prefeito; participativa ainda é um sonho, tanto que obras importantes, como a trincheira da Praça São Vicente, ganha no voto pelos moradores da Regional Noroeste há oito, nove anos, e ainda não saiu. Então, nos sobra a representativa, esta na qual votamos em pessoas que serão nossos representantes nas casas legislativas e no Executivo.

Mas ninguém aguenta político! No mercado, vi um candidato à reeleição falando sozinho, uma ex-vereadora tentando voltar e eleitores fingindo interesse quando, na verdade, já decidiram por um colega de banca, que vai tentar a primeira vez... E, se me perguntares dos três qual merece minhas orações direi que é exatamente o provável eleito. Moço sério, trabalhador, que levanta às 3 da madrugada, dirige caminhão, carrega caixa, sorri espontaneamente, não sabe o que o espera depois da diplomação. Pelo que vai ter de tolerar no ambiente e pelos dissabores inerentes ao cargo. Ser político virou palavrão. Num condomínio de Nova Lima, o pré-candidato postou na rede social sua intenção e foi imediatamente desacatado por um vizinho. Está assim por todo lado.

De quem é a culpa? Em parte do eleitor. Temos a cultura de apenas reclamar, cobrar e não fazer a nossa parte. Também votamos por amizade ou interesse, desconsiderando o mais importante que é a representação, a construção de um mundo melhor para as futuras gerações. Mas não há a menor dúvida de que os donos do poder não fazem por onde recuperar nosso prestígio. Ao contrário, só nos visitam de quatro em quatro anos, com a cara mais limpa do mundo... E, no fundo, sabem que não nos representam de verdade... Estão lá porque muitos, bons de coração e intenção, não têm estômago para a coisa pública. Outros, não têm noção da importância do voto e trocam por qualquer coisa... Ou por nada.

Mas, se quiseres ver a não representação em números, é só olhar. Por exemplo: Das 493 mil pessoas que disputam esse ano uma vaga de prefeito, vice ou vereador em todo o país, 254 mil apresentam-se como brancas, ou seja, 51,5%, contra 39% de pardos e apenas 8% de negros. Ora, na realidade, o quadro é inverso... Quando o IBGE conta a população, somos 43,1% pardos e 7,6% pretos, totalizando 50,7% que são considerados negros. Precisa dizer mais alguma coisa?

E a proporção de gênero? Melhor nem entrar em detalhes, pois, embora maioria na população, no eleitorado e nas universidades, as mulheres têm participação insignificante nas casas legislativas do país.

Pior é quando a gente tenta acompanhar a propaganda eleitoral na TV ou no rádio. Não dá para aguentar! Cada figura! É que as pessoas, ao longo da vida, vão incorporando apelidos, em função do que fazem, de como vivem etc. Assim, temos os que lembram comida, como Pimenta de Rondônia, Cheiro Verde, Colorau e Cenoura; os que lembram partes do corpo, como Pescocinho, Orelha, Queixinho e Sem Braço, mais os “animais” Abel Galinha, Pinguim Pelejador, Cabra da Bahia e Cowboy Urso Branco. Mais: Felipe Mijão, Pé na Cova, Piri Mãe de Lourinho da Banca, Acorda Cedo, Feliz Show Tche Tche The Re Rerê, Elivelton JÁ Morreu, Motoboy de Jesus, Maria do Deus Proverá, Carlos do Exército de Cristo, Obreiro Luiz Decente Corajoso, Pixain, Nora de Piniquinho e Tico da Rua de Trás. 

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