Ouça a rádio

Compartilhe

Currais modernos

O folclore da política, especialmente em Minas, reúne um sem número de estórias sobre a atividade no passado, trazendo detalhes de como os chamados coronéis garantiam a eleição de seus protegidos.

O folclore da política, especialmente em Minas, reúne um sem número de estórias sobre a atividade no passado, trazendo detalhes de como os chamados coronéis garantiam a eleição de seus protegidos. Os tais “currais eleitorais” funcionavam com artimanhas inacreditáveis, como o cidadão levar o nome de quem iria votar em um pedaço de papel, ser levado e vigiado até a boca da urna e até casos mais pitorescos, como o fazendeiro dar um pé da botina antes e outro depois da eleição, da vitória. Claro que, executando-se o lado cômico que sempre faz bem à saúde, era uma indecência sem tamanho e foi em nome de novos tempos que trocamos de partido, tiramos um presidente do cargo e estamos nas ruas.

Os currais estão aí, do mesmo jeito, ou melhor, com artifícios diferentes e o objetivo de sempre: garantir a eternidade dos espertalhões na vida pública. Ora, é simples: tanto no plano federal como estadual e municipal quem tem a caneta – o Executivo – é chantageado para formar a tal “governabilidade”, se vê obrigado a liberar as verbas que seduzem prefeitos fracos em todos os sentidos e de interesses pequenos. É um mata burro aqui, ginásio ali, emprego no gabinete e pronto. É só reparar se Dilma perde alguma votação quando realmente interessa. Aqui, o Anastasia idem, o Lacerda idem... O fator previdenciário criado por FHC continuou com Lula e Dilma e é só um exemplo. Agora, lá em Brasília, criaram o orçamento impositivo, isto é, o governo fica obrigado a liberar as verbas. A Câmara de Belo Horizonte gostou e quer repetir. Vê se pode?   

Nos últimos dias, temos assistido a depoimentos contundentes de algumas velhas raposas anunciando aposentadoria. Na verdade, estão passando o bastão para filhos, genros, empregados. E tudo com as bênçãos dos velhos coronéis, pois, afinal, assim como Lula decide que é Haddad para a prefeitura e Padilha para o governo de São Paulo, Aécio já escalou Pimenta para governador e Anastasia para prefeito – o próximo – de BH. E já há até briga pela suplência do atual governador, que, antes de chegar à Afonso Pena, será forçado a passar pelo Senado.

São todos iguais. Petistas, tucanos, pedetistas, todos. Na verdade, diferentes são o PMDB e o DEM que não escondem sua paixão por cargos, verbas, fisiologismo e vida mansa. Os outros, especialmente o PSDB e o PT irritam porque fingem postura de partido com programa e valores. Lhes falta é a coragem para assumir a sentença de Hélio Garcia: “Feio é perder eleição”. Se a gente não fizer uma Assembléia Nacional Constituinte Exclusiva, não ameaçá-los com a guilhotina como outros povos fizeram, vão continuar mandando nos currais e nos conduzindo ao matadouro... Ê vida de gado; povo marcado, povo feliz!