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Cunha é a explicação

Agora, que já rimos bastante com o inesquecível programa humorístico do último domingo (17), devíamos nos ater com cuidado sobre os ensinament...

20/04/2016 às 08:38
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Cunha é a explicação


Agora, que já rimos bastante com o inesquecível programa humorístico do último domingo (17), devíamos nos ater com cuidado sobre os ensinamentos que a sessão da Câmara para admissibilidade do processo de afastamento da presidente Dilma nos deu. São muitas, mas peço sua permissão apenas para refletir sobre aquelas diretamente ligadas ao presidente da Casa, Eduardo Cunha. Penso que cada uma delas e, sobretudo o conjunto, explicam muito da sociedade brasileira.

A primeira diz respeito ao desprezo que o poderoso tem em relação aos seus (des) iguais. Por mais que chamassem o presidente de ladrão, canalha e gângster, ele não movia sequer a sobrancelha, com o firme propósito de mostrar aos detratores sua superioridade. Voltarei a esses adjetivos desqualificadores ao final desse texto, mas, aqui, queria realçar a indiferença de Cunha em relação aos seus pares, comandados.

Cunha reafirmou a verdade brasileira de que um homem pode sim ser mais forte que uma instituição, ainda que por tempo limitado. Embora haja constrangimento nos corredores do Congresso Nacional, ele segue com um caminhar desajeitado e debochado pelo salão verde, com o ombro entortado a dizer “e daí?” enquanto dezenas, centenas de colegas, que têm o mesmo título, se mostram incapazes de retirá-lo. Não conseguem sequer fazer o processo pela cassação do presidente andar...

Cunha nos mostra um poder de sedução que gera curiosidade quase insuportável porque, mesmo antes de sua eleição, já era respeitado no baixo clero – a maioria dos deputados, que não têm projeção nacional – e todos, sempre, diziam que ele é bom por cumprir o que promete. Cumprir o quê? Essa é a pergunta. Eleito, ganhou afetos impressionantes. E, por mais que apareçam evidências, provas de suas proezas, mais e mais os colegas estão a blindá-lo. Agora, Osmar Serraglio, deputado de reputação ilibada, sugere anistia para os crimes de Cunha, em homenagem ao esforço do deputado pela queda de Dilma... E Paulinho da Força, outro ficha suja do Congresso, sai em campanha para inocentar o chefão na Câmara. No que lhe compete, Cunha mostra-se cada vez mais cara de pau e a última foi dar folga geral para todos os colegas nesta semana... O que significa... mais atraso no processo de cassação... dele.

Mas o espantoso mesmo é um cidadão ficar ali, por seis, oito horas, ouvindo quem o conhece de perto chamá-lo de ladrão, canalha, gângster e continuar impassível. Como se não tivesse uma filha vendo, uma esposa em casa...

Aquela postura de Cunha é a senha para o usuário de maconha que nos atormenta na esquina, ameaça nossa filha e intimida nossa mulher. Se ele ouve aquilo tudo e não reage, não sai dali preso, por que então o ladrão de semáforo, o trombadinha vai se preocupar? Cunha é a oficialização, pelo Estado e ao vivo direto da Praça dos Três Poderes, que estamos vivendo a era de Bolsonaro, isto é, o vale tudo, no tiro e na porrada, sem lugar para escrúpulos, civilizados e decentes.

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