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Crime e política

Duas frases que tenho ouvido com insistência irritante: judicialização da saúde e criminalização da política. Primeiro, tratemos da saúde...

20/09/2016 às 08:23
Crime e política

Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

Duas frases que tenho ouvido com insistência irritante: judicialização da saúde e criminalização da política. Primeiro, tratemos da saúde, onde a prosa revela um enorme prejuízo para os brasileiros, mas infinitamente menor que no caso da política.

Prefeitos incompetentes, gastadores, muitos deles defensores daquela farra de emancipações que tivemos, com a criação de milhares de municípios sem condições de sobrevivência, vivem a reclamar do que chamam de judicialização... É quando um advogado ou promotor pede e o juiz defere, determina alguma providência como comprar um medicamento ou pagar uma cirurgia, às vezes até no exterior. Dizem que tais ordens estão abalando as finanças e quebrando administrações. Para justificar a grita, costumam afirmar que ricos estão se tratando com recursos dos cofres públicos graças a ações judiciais. Ora, primeiro pergunto: então, se o cidadão está doente, não recebe o remédio, não faz a cirurgia, o juiz não pode mandar o prefeito cumprir a lei? Se há irregularidades, abusos, por que não denunciá-los, em separado? Se rico está usando a saúde pública – e isso é verdade, pois conheço abastados que buscam remédio no posto – qual o problema se o SUS foi criado para ser universal? Deve, portanto, atender a todos os brasileiros, desde os mais miseráveis até os que pagam muitos impostos, por terem mais. Os prefeitos, no lugar de diminuir cargos em recrutamento amplo, evitar as safadezas nas licitações e falar sério, ficam buscando desculpas nesta palavra bonita: judicialização.

Agora, começaram a falar na criminalização da política. Ora, seria leviano dizer que todo político é criminoso, mas, com certeza, é pueril, para não dizer imbecil, ignorar que a prática da política no país é, sim, criminosa e, portanto, deve ser criminalizada. Ou o que as oligarquias fazem em Brasília há décadas e décadas, séculos, é a boa política? O melhor exemplo ocorreu na noite de segunda-feira (19), quando queriam, na calada da noite, aprovar um projeto indecente com dupla finalidade: acabar com a proibição de doação de empresas para as campanhas (que com muito custo, conquistamos e agora vivemos a primeira eleição nesta nova realidade) e anistiar, isso mesmo, perdoar todos os que praticaram o chamado crime do caixa 2, ou seja, receberam “por fora” para fazer campanha. São indecentes demais. E aí estão parlamentares do PSDB, do PT, do PMDB, todos eles... Foram uns dez deputados, da Rede e do PSOL, que barraram a tramoia lá no Congresso. As velhas raposas que mandam na nação não têm limites. E nos fazem de idiotas ao garantirem que, recebendo uma fortuna de uma construtora ou de um banco, depois não vão retribuir com afagos que custam nosso dinheiro.

Por isso, insisto, sabendo ser um chato: se não fizermos uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva, com pessoas que não têm e não pretendem ter cargo político, não vamos acabar com a indecência nunca. 

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