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Como somos mal educados!

Como somos mal educados!

Queria ter escrito na segunda-feira. Optei por esperar, comentar com outras pessoas e avaliar para ter certeza de que não fui o único a perceber. O show do último domingo foi não apenas o maior presente que Belo Horizonte já ganhou – pelo menos em termos culturais – nos seus 114 anos, mas, principalmente, serviu para nos mostrar algumas verdades que são importantíssimas, sobretudo porque queremos internacionalizar a capital e o nosso país sonha figurar entre as principais potências econômicas do mundo num prazo relativamente curto.

Primeira verdade: a Fiat provou que é possível sim reunir 80 mil pessoas, das quais cinco mil foram convidados especiais que vieram das mais diversas partes do mundo, numa praça dita complicada, sem qualquer tipo de atropelo – todo mundo foi bem tratado, não houve ocorrência policial grave, o trânsito não ficou parado na cidade inteira e quem não foi à festa viveu em paz.

Segunda verdade: qualquer um de nós pode acreditar no próprio talento e sonhar com o mundo porque a exuberante soprano que cantou com Andrea Bocceli, Maria Aleida, nasceu na ilhada Cuba e iniciou estudos na pobre Venezuela – isso para não falar na emoção que os meninos pobres do Jardim Teresópolis provocaram ao se juntar a eles no palco.

Terceira (e triste) verdade: nós somos muito mal educados! A empresa convidou, ofereceu hotel, transporte, espaço VIP, banheiro, cadeira com forro, bebidas, comidas, a mordomia possível para que todos pudessem curtir o espetáculo - assim como a tímida lua que vigiava a praça ao cair da noite, acompanhada de uma única estrela. Pois, não é que boa parte dos convidados especiais passou o show inteiro fazendo tudo, menos olhar para o placo? Uns queriam ligar para casa, outros buscavam resultado dos jogos de futebol, havia quem gritava “Galo”, mas, principalmente, mais de mil deles ficaram o show inteiro fazendo o trajeto entre o banheiro e o novo copo de cerveja. Gente bem de vida, que tem bebida o ano inteiro, toma como e quando quiser, mas, por absoluta falta de sensibilidade, deixou de ver uma apresentação histórica para ficar sorvendo e vertendo urina.

E eu só pensava numa coisa: como sofrem os vizinhos deles, do dia-a-dia, no condomínio, no clube de lazer, principalmente no apartamento... O que devem dar descarga de madrugada!