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Como salvar vidas

Estamos vivendo uma situação inusitada, dizem os autores, há menos pobres e mais crimes. Como explicar esse aparente paradoxo?

Tratado sobre como podemos preservar vidas, especialmente dos jovens no Brasil. É assim que se pode resumir o livro dos sociólogos Luís Flávio Sapori e Gláucio Soares, apresentado ao público na noite dessa terça-feira em Belo Horizonte. “Por que cresce a violência no Brasil?” é - pelo menos para este profissional que atua em torno dos dilemas da insegurança há quase quatro décadas, um dos melhores estudos já publicados, contendo o chamado “estado da arte” da Academia, as pesquisas mais confiáveis, a teórica na prática e as soluções mais plausíveis para diminuirmos a violência no nosso meio. Mas, se você for ao livro procurando surpresas, vai ficar decepcionado. As conclusões são as que já conhecemos: é preciso tratar com seriedade a questão das drogas, rever leis, rearranjar o sistema penitenciário, mudar procedimentos, investir muitos recursos, aumentar o número de policiais e, principalmente, vontade política, ou seja, a presidente da República tem de convocar e liderar todos os brasileiros para um grande pacto.

O que há de legal no livro é que ele nos dá elementos para as teses que a gente já defendia. Por exemplo: confirma que a deterioração da segurança pública na sociedade brasileira está acontecendo paralelamente a significativos avanços nos indicadores socioeconômicos, especialmente a partir dos anos 2.000. Diminuímos a pobreza absoluta, o acesso à educação básica se universalizou; o acesso dos jovens mais pobres à universidade foi ampliado, a taxa de analfabetismo caiu; a esperança de vida ao nascer foi incrementada e até a desigualdade na distribuição de renda nacional diminuiu. Alçamo-nos à posição de sexta economia do planeta, a inflação permaneceu relativamente controlada, o desemprego e a informalidade no mercado de trabalho caíram. Estamos vivendo uma situação inusitada, dizem os autores, há menos pobres e mais crimes. Como explicar esse aparente paradoxo? Como é possível uma sociedade que reduz a exclusão social sofrer com o recrudescimento da violência?

Ao transcrever o texto que está na orelha do livro, quero ser fiel ao que foi constatado pelos pesquisadores e à proposta do trabalho que é de responder a desconcertantes indagações. E o argumento defendido é o de que a dinâmica da violência na sociedade brasileira não é mera derivação da dinâmica da estrutura socioeconômica. Podemos reduzir a violência e nos tornar uma sociedade mais civilizada e pacífica se formos capazes de formular e implementar políticas públicas de controle da criminalidade consistentes. E para começar, é primordial um diagnóstico mais preciso do fenômeno – que é a principal contribuição do livro.

“Por que cresce a violência no Brasil?” é uma iniciativa das editoras Puc Minas e Autêntica e estará nas livrarias a partir de hoje. Eu recomendo e, nas próximas colunas, usarei parte de seu material para refletirmos juntos.