Ouça a rádio

Compartilhe

Como pode?

Como pode?

A violência existe desde que o mundo tem gente. O que chama a atenção é a natureza da violência. Converse com um médico de Pronto Socorro e ele lhe dirá que, agora, as pessoas não apenas morrem a tiros, mas com muitos tiros. Procure um bombeiro do resgate e ele contará que, nos acidentes de nossos tempos, as vítimas não têm seus corpos apenas feridos, mas mutilados. Verifique a ficha dos homens que são presos nas situações mais casuais e você constatará que estamos cercados de gente muito perigosa. Parece que a tal banalização do crime atingiu os índices inimagináveis. E algo me diz que é a tal sensação de impunidade. Vejamos o caso de Adriano Rodrigues Miranda, conhecido como “Pit Bull” que, aos 25 anos, já é acusado de 16 assassinatos. Ele estava preso, mês passado, no Vale do Aço, quando confessou ter sido contratado para matar o delegado aposentado Francisco Lemos e o deputado estadual Durval Ângelo. Disse até preço e mandante: receberia 150 mil reais de João Correia da Silveira, o “João Caboclo”, ex-prefeito de Tarumirim, no Vale do Rio Doce. Depois da confirmação da “pistolagem”, acreditávamos que providências muito vigorosas seriam tomadas, com a imediata transferência do matador para penitenciária de segurança máxima, detenção e interrogatório do mandante, enfim, intensa movimentação da sociedade. Nada aconteceu. Menos de um mês depois, Adriano "Pit Bull" está preso de novo, agora em Belo Horizonte, mais uma vez confirmando toda a história e ainda ameaçando que, quando encontrar com “João Caboclo”, a terra vai tremer. O que me incomoda é como não levam a sério esse pistoleiro que, por apenas 5 mil, já matou um outro desafeto de “João Caboclo”.