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Como nos piores tempos do Velho Oeste

Como nos piores tempos do Velho Oeste

06/05/2013 às 02:13

Os bacanas, de terno e gravata, tomando uísque e fumando charutos, escolhiam no mapa as terras mais interessantes. O xerife corrupto recebia as ordens, dizia amém e seguia para a “missão”. Dava prazo de alguns dias para que os posseiros se mudassem, sem se importar para onde, desde que deixassem seu gado, suas terras, seu lar. Se alguns reagissem, tudo seria incendiado para servir de exemplo. Meses depois, chegavam os trilhos para a ferrovia. E os abusos continuavam, até que o “mocinho” do filme – saudades de Giuliano Gema, Lee Van Klef, John Wayne e tantos outros – aparecia para resolver a questão.

Duas horas depois a gente deixava o cinema feliz da vida, por assistir mais um faroeste de primeira. Melhor que isso, naqueles anos 70 só uma “hora dançante” com a expectativa de beijo na boca. Não foi por acaso que, na terça-feira, quando tomei conhecimento de mais um escândalo horroroso em Minas, vieram-me à memória as cenas de filmes tão violentos, mas, simultaneamente, tão agradáveis.

Primeiro, era um esforço de minhas lembranças para minimizar a raiva que esses ladrões de luxo provocam. Depois, porque só no Velho Oeste a gente via (ou melhor, acreditava ver, no cinema) tanto banditismo. Foi exatamente assim que agiram prefeitos, dirigentes do Instituto de Terras, funcionários públicos e outros gananciosos mineiros. Até um secretário, o mesmo Manoel Costa que vivia de motorista e carro oficial há décadas, caiu. E, embora as investigações ainda tenham muita bandalheira para revelar, já se sabe que os espertalhões copiaram as técnicas mais covardes do Velho Oeste americano. Só que com a ajuda da evolução tecnológica.

Fumando charutos, se reuniam para descobrir as chamadas terras devolutas (aquelas que não tinham registro de propriedade particular) com a ajuda do “Google”, com o olho infalível do satélite. Encontrado o alvo, não agiam como era de se esperar, isto é, colocar as terras à disposição dos mineiros que sonham com seu pedacinho de chão, através da reforma agrária. Ao contrário, mandavam um policial civil ameaçar todo mundo, expulsavam os posseiros, faziam um registro indecente e falso em cartório, criavam proprietários “laranjas” e vendiam as terras para mineradoras poderosas...

Dizem que até a Vale comprou terras desses infelizes. Só um dos terrenos foi vendido por 41 milhões de reais. O triste é que não estaremos vivos para assistir ao mínimo de se esperar numa canalhice dessas: tomar tudo de volta para o Estado e colocar todos na prisão. Isso porque os tempos são outros, mas, cá prá nós, não dá saudades dos filmes em que o mocinho do cinema cortava a metade deles no tiro?

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