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Reconheço que não sou operador do Direito. Nem me enquadro na categoria dos cidadãos de notório saber jurídico...

05/06/2015 às 12:12

Reconheço que não sou operador do Direito. Nem me enquadro na categoria dos cidadãos de notório saber jurídico. Assim, não posso discordar, muito menos questionar o posicionamento dos promotores que recomendam o indiciamento dos responsáveis pela queda do viaduto Batalha dos Guararapes por desabamento e não por homicídio como quer o delegado responsável pelas investigações. Mas, com a autoridade de quem ganha a vida pedindo a Deus força para ser capaz de ajudar as pessoas na reflexão sobre vida e morte, quero manifestar meu gigantesco medo de que, mais uma vez, estamos escrevendo um tratado a favor da impunidade.

Dos fatos: em plena tarde do dia 3 de julho de 2014, com as atenções todas voltadas para uma das cidades-sedes do maior evento esportivo do mundo, Belo Horizonte foi sacudida pela notícia de que um viaduto desabara em uma de suas principais vias, rota obrigatória do placo dos jogos, matara duas pessoas e deixaram outras 23 feridas;

Da repercussão: no dia seguinte, além de de tamanho vexame, tivemos de tolerar a ausência de nossos representantes tanto no Judiciário, Executivo e Legislativo, no local da tragédia, exceto o prefeito do município que pronunciou uma das mais infelizes frases já ouvidas de uma autoridade: “Acidentes acontecem”.

Ainda envergonhados – afinal, viadutos não caem na engenharia do século XXI – passamos à fase das perplexidades: a Sudecap, por seu chefe da época, cujo sobrenome é Terror, continuou autoritária, arrogante e fingindo-se livre de culpa. A Cowan, uma dessas construtoras que fizeram fortunas de famílias que desprezam ética, solidariedade e respeito aos famintos (é só ver o histórico de promiscuidade na relação das grandes empreiteiras com o dinheiro público brasileiro) continua falando só o que quer, quando quer e transferindo responsabilidades. A Consol fez o projeto, diz que está tudo certo...

Mas, de concreto mesmo, é que o concreto estava vencido, a ferragem era insuficiente, quem fiscalizava era um agrônomo, retiraram as escoras antes da hora, fizeram cabeceira das pontes só com areia... O Guararapes caiu, outros foram escorados...

Dez meses depois, a Prefeitura continua com a Sudecap e o Terror debaixo da saia; os promotores dizem que o crime foi só de desabamento e ninguém devolveu o dinheiro ainda...

Dá vontade de pegar a Pedro I (ousar passar debaixo daquelas obras inacreditáveis), ganhar a MG 424, o aeroporto e...

Mas, “é aqui que eu amo, é aqui que eu quero ficar”; então, o jeito é sugerir o indiciamento do desabamento, ou do Pedro I, quem sabe do Guararapes... De repente, a gente pede licença às famílias e culpa os mortos... Afinal, quem mandou passar lá, justo naquela hora?

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