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Cinzas

Fascinante a força que o amor de mãe tem no coração da gente! A minha se foi para o andar de cima há seis anos, mas, praticamente todos os dias...

10/02/2016 às 12:13

Fascinante a força que o amor de mãe tem no coração da gente! A minha se foi para o andar de cima há seis anos, mas, praticamente todos os dias me lembram dela e, em alguns momentos, de maneira especial. Caso da quarta-feira de cinzas, quando já acordava com lembretes de que não deveria comer carne, guardar respeito e iniciar um tempo de muita reflexão – a quaresma.

Quando se cria sete filhos, toda mãe sabe – lá no fundo de seu coração – embora se vigie para não deixar escapar que cada um é diferente e, por isso mesmo, tomará um rumo na vida. Mas, como que por instinto, ou cumprimento de obrigação, passa as mesmas lições. E aí o filho cresce e começa a fazer suas próprias escolhas. Um não gosta de padre e de tudo o que ele recomenda; outro não compreende a razão de jejum se milhões já não têm o que comer, há também os que simplesmente não acreditam em dogmas, paradigmas... Enfim, provavelmente, a mãe deve incluir na galeria dos pensamentos de todo dia uma crença de que a personalidade de cada um dos filhos vai indicar os próprios caminhos. No entanto, cumpre seu papel de rezar a cartilha, indicar rotas, contribuir para que a jornada de sua cria seja em estrada asfaltada, sem obstáculos.

Fico imaginando que quando a mãe percebe a proximidade do fim – e acredito que as pessoas sentem – ela, mais que o pai, o irmão, qualquer um, deve construir o filme de sua existência, cujos personagens principais têm de ter desfechos reais e imaginários. O que vai ser deles? Como vão se sair sem mim? E aquela nora encrenca? Aquele genro preguiçoso? Deve ser reconfortante a sensação do dever cumprido, de que as orientações básicas foram repassadas. Eu mesmo tinha tanto medo de morrer quando minha primeira filha era bebê e hoje me sinto pronto (sem pressa, é claro) para a hora do chamado exatamente porque o caminho foi traçado e, agora, na fase em que minhas crias estão, cabe-lhes seguir em frente, sem maiores receios, porque a semente foi plantada com cuidado e em solo fértil.

O que importa a um pai, mas, principalmente a uma mãe, é que os conselhos ficam. Se o dia está nublado, lembro-me dela dizendo “leva o guarda-chuva” e do arrependimento de quando não levava e voltava ensopado. Se vejo um amigo empolgado numa relação extraconjugal, ouço sua voz advertindo “cuidado com moças fáceis”; quando descubro amigo em maus lençóis, relembro as broncas para estudar e poupar, tomar banho, não seguir desconhecidos, não beber, não jogar cartas, não sair tarde, não pegar o que é dos outros, respeitar os mais velhos... Fica tudo no cantinho da consciência... E hoje, quarta de cinzas, não como carne vermelha - não que ache se é certo ou errado; se ela recomendava algum motivo tinha e é o que me basta. Que saudade!

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