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Central de Flagrantes II

A propósito do texto publicado na quarta-feira, no qual um cidadão diz não compreender a centralização dos flagrantes em apenas um local para toda Belo Horizonte, o delegado Anderson Alcântara, enviou-me email...

A propósito do texto publicado na quarta-feira, no qual um cidadão diz não compreender a centralização dos flagrantes em apenas um local para toda Belo Horizonte, o delegado Anderson Alcântara, enviou-me email com algumas explicações, admitindo que o modelo precisa de ajustes, tanto que está trabalhando junto com representantes da outra polícia para aperfeiçoar o atendimento. Diz ele:

“Antes de sair de férias, assinei uma Ordem de Serviço Conjunta, com a Cel. Cláudia, Comandante CPC e o Cel Carvalho, Comandante CPE que disciplina os procedimentos operacionais da CEFLAN, referentes a finalização de registros de ocorrências envolvendo a prisão de infratores. O objetivo desta ordem de serviço é proporcionar mais agilidade no atendimento por parte de ambas as corporações, em face de alguns problemas detectados. Tal Ordem de Serviço prevê, inclusive, o aumento de controle e monitoramento para diminuir a probabilidade de problemas. Portanto, por isso, estarrecido, preciso saber se os fatos ocorridos foram anteriores ou posteriores a dezembro 2013. Os fatos anteriores já estão sendo apurados. E posso lhe informar que são poucos. Agora é bom que todo o cidadão saiba é que o sistema legal ainda padece de algumas burocracias, necessárias e que implicam na lavratura de termos, autos, etc. Senão, podem descaracterizar os flagrantes. Assim, obrigam as autoridades policiais e seus agentes. Então, dependendo de algumas complexidades dos fatos que aportam em nossas unidades, poderão ocorrer alguns atrasos. Mas, é exceção, e não, a regra”.

Na verdade, bem sabe o delegado Anderson Alcântara, profissional sempre disposto ao diálogo e dos mais envolvidos com o trabalho, que a centralização foi a única alternativa à falta de pessoal na Polícia Civil. Em um só prédio, é possível colocar três delegados, seis escrivães e um número razoável de agentes. Mas, para os 330 quilômetros quadrados de Belo Horizonte, também ele sabe que é pouco, tanto que já pensa em instalar mais duas unidades, sendo que uma delas, no Bairro Buritis, não deve demorar. Além disso, duas unidades de flagrantes estão em atividade, no Barreiro e em Venda Nova.

A lógica da centralização, otimizando recursos para liberar as demais delegacias para o trabalho de investigação, poderia ser aceitável, se viesse acompanhada de relatório de produtividade dos tais distritos policiais. Resumindo a prosa, nem mesmo pessoas bem intencionadas e sabidamente qualificadas são capazes de milagres. Então, devemos cobrar do Governo do Estado uma atitude concreta em relação às nossas forças de segurança. Ou colocamos gente, equipamentos, estrutura para valer na Polícia Civil ou estudamos sua imediata unificação com a Polícia Militar, criando, quem sabe na seqüência, o chamado ciclo único de polícia. Enfim, precisamos escolher um modelo e falar sério com o patrão, que é o contribuinte, o cidadão, o mesmo que está cada dia com mais medo de sair de casa e mais preguiça de registrar a queixa (o que, sabemos, é absolutamente necessário). A propósito, por que nossa polícia não dá um pulinho em São Paulo para ver como funciona o registro de “BO” pela internet?