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Casas santas

Durante nossas caminhadas, o amigo Ricardo falava exultante sobre a chegada do netinho o que, convenhamos, mata aos poucos todos os homens com

30/06/2015 às 03:14

Durante nossas caminhadas, o amigo Ricardo falava exultante sobre a chegada do netinho o que, convenhamos, mata aos poucos todos os homens com mais de 50 anos... Ou de alegria, como no caso dele, ou de ansiedade, caso dos que estão na fila. Mas, se é que há inveja boa, Deus perdoa. De repente, Ricardo abre parênteses para falar de uma experiência que possivelmente guardará pelas próximas décadas, especialmente quando ele estiver apreciando o desenvolvimento do recém-nascido. É que o parto da filha foi em hospital particular, de qualidade indiscutível, mas, por detalhes, faltou leite e então, os pais foram orientados a pedir ajuda em outra casa de saúde não muito distante dali. Foi aí que Ricardo conheceu a Odete Valadares.

Incrível, mas, provavelmente todos os que ganham mais de 20 salários mínimos nunca passaram pela Maternidade Odete Valadares que, assim como a Sofia Feldman, no Bairro Tupi, e a Hilda Brandão, na Santa Casa, atende primordialmente quem não tem dinheiro, convênio ou conhecidos de posse... Ricardo ficou impressionado com a gentileza dos servidores, o pronto atendimento do pedido, apenas com a ressalva de que “temos um limite de leite para fornecer porque não podemos ficar sem estoque, considerando outras crianças necessitadas”. 

O que mais incomodou meu companheiro é que aquelas pessoas atenciosas com aquele espírito de solidariedade e um pronto socorro com letras maiúsculas estavam cercados por paredes descascadas, aparência de abandono... Falta de reformas. Eu perguntei se ele havia visto uma linha amarela. Respondeu que sim. Expliquei que é a linha que guia as parturientes dentro do hospital, considerando que a maioria tem dificuldades até para compreender espaço e circulação... Assim, vão caminhando e resolvendo as etapas, antes da internação; etapas que incluem a entrega de objetos pessoais e um belo banho, com o objetivo de evitar e controlar infecções hospitalares.

É a vida como ela é em alguns estabelecimentos que não podem ser chamados de hospitais. São casas santas. Assim é a Santa Casa, o Hospital das Clínicas, o João Paulo II (antigo CGP), o Universitário Ciências Médicas (antigo São José), Odilon Bherens, Risoleta Neves, João XXIII...

Hoje, 100 dessas instituições estão fazendo um movimento nacional por mais verba. Denunciam o apagão na saúde e preveem que o que está ruim vai piorar... Apesar dos esforços de anônimos, como os que encantaram Ricardo.

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