Eduardo Costa

Coluna do Eduardo Costa

Veja todas as colunas

Mais Notícias

Casas santas

Casas santas

06/05/2013 às 02:13

Uma ótima notícia passou quase despercebida nesta semana. O Ministério da Saúde autorizou o Hospital das Clínicas a retomar os transplantes conjuntos de rins e pâncreas.

Em maio, quando houve a proibição, no jornal, no rádio e na TV, as manchetes bradaram aos quatro cantos a péssima notícia. Na maioria dos veículos, de forma exagerada. A começar pelo fato de que apenas um tipo – o mais raro – foi suspenso, continuando, portanto o hospital a oferecer chances de nova vida para os cardíacos crônicos, renais, cegos e muitos outros.

Nós, da mídia, temos o péssimo hábito de generalizar. Também, no fundo, no fundo, somos treinados para valorizar a tragédia. Três meses depois, os órgãos de controle reviram sua posição em razão de providências adotadas pelo hospital e, principalmente, por entenderem que várias das “não conformidades” dizem respeito à estrutura física e, em consequência, exigem recursos (não são poucos), precisam vencer a burocracia (fazer projeto, convencer a UFMG, buscar aprovação no MEC) e superar a conjuntura (nesse momento, há escassez de mão-de-obra na construção civil).

Com a mesma ênfase que anunciamos as crises, devíamos propagar a excelência do Hospital das Clínicas. É um lugar por onde transitam, todo dia, 10 mil pessoas, das quais 3 mil são profissionais, desde anônimos até médicos famosos. São mais de 50 especialidades, 500 leitos (38 dos quais de CTI), centenas e centenas de professores e alunos que fazem pesquisas avançadas e são referências em muitos tratamentos.

O nosso HC está a merecer, de nós, profissionais que Deus escolheu para informar ao grande público, uma pesquisa profunda, para mostrar os casos bem sucedidos, desde abordagens neurológicas complexas até reprodução humana; desde o Pronto Atendimento (quase sempre com macas pelos corredores porque ali é a última esperança de quem vem de longe) até cirurgias espetaculares. Mas, o que a gente precisa reproduzir mesmo, fazer chegar à população, é o amor que profissionais de ponta têm por esse hospital-escola, a ponto de abrirem mão de fama e muito dinheiro para se dedicar a uma instituição diferenciada, apaixonante.

Nós, os repórteres, temos sempre de nos perguntar: o que seria dos pobres de Minas sem o João XXIII, o Odilon Bherens, o  Baleia, a Santa Casa, o Mário Pena, o João Paulo II, o São José, o HC e outras casas santas de Belo Horizonte?

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    Problema afeta deslocamento até estações Barreiro e Diamante #itatiaia

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    Pagamento será depositado diretamente na conta bancária informada na declaração. #Itatiaia

    Acessar Link