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Casa santa

Assunto para a primeira segunda-feira de 2016 é o que não falta. O escriba pode escolher entre IPTU, IPVA, matrículas escolares, aumento...

Assunto para a primeira segunda-feira de 2016 é o que não falta. O escriba pode escolher entre IPTU, IPVA, matrículas escolares, aumento de tarifas públicas e privadas, férias forenses desconectadas com nossa realidade, recessos legislativos indiferentes ao sufoco nacional e um faz de conta danado no Executivo onde é difícil encontrar um chefe. Mas, poderia falar ainda da Lei 100 (lembra-se dela?) que botou dezenas de milhares de servidores estaduais com 20, 30 anos de casa no olho da rua, sem férias, 13º, seguro desemprego, FGTS ou qualquer compensação... Dá para falar também da lama da Samarco que continua correndo para os rios, da nossa insegurança que está no banco, no shopping, no ponto do ônibus e até no leito hospitalar, dependendo de quem está ao seu lado... E a zika? Microcefalia? Cada uma...

Mas, quero falar é de sucesso. E de uma casa que todo mundo conhece, por lá já passou um dia, sabe que faz o bem, mas, como os garis e todos os humildes, torna-se praticamente invisível nas rodas de conversa das épocas festivas. Falo da Santa Casa. De Misericórdia. A instituição fechou 2015 com uns 20 milhões de déficit. E é pouco para uma cidade que consome o dobro todo mês só com despesas básicas. Cidade? É sim, e de porte médio. Com cerca de 4 mil servidores, mais de mil médicos e um movimento diário que supera 15 mil almas, para lá e para cá nos corredores, em busca de cura, afeto, esperança. Desde 1899, a Santa Casa vem socorrendo mineiros das mais distantes regiões e irmãos de outros Estados, especialmente os mais pobres baianos. É o maior hospital e a maior prestadora de serviços ao SUS em Minas e, no ano passado, foi o terceiro hospital que mais internou pelo Sistema Único de Saúde em todo o Brasil. São 1.086 leitos SUS, sendo 170 de UTI – e esse número, de Unidade de Tratamento Intensivo, é o maior em um único hospital no país.

A Santa Casa faz 2,7 milhões de atendimentos por ano em 35 especialidades médicas, tem 19 salas cirúrgicas para procedimentos de média e alta complexidade e, todo dia, são internadas 120 pessoas, das quais 24 vão para a UTI. A Santa Casa é líder em Minas em cirurgias do aparelho respiratório, cirurgias do sistema nervoso central, cirurgias da mama, cirurgias oncológicas para pacientes de até 18 anos, em radioterapia (para pacientes de até 18 anos) e em transplantes de órgãos e tecidos, coleta e acondicionamento de medula. Alguns destaques em atendimentos mensais: 126.420 exames, 1230 cirurgias, 330 partos, 1645 sessões de quimioterapia e 4.925 sessões de radioterapia.

A Santa Casa é tão impressionante nunca falta ajuda do Estado e da Prefeitura de Belo Horizonte. Recentemente, o governo federal fez um acordo que colocou as divididas em ordem e garantiu a sobrevivência. Enfim, ninguém duvida de que aquele prédio centenário da Praça Hugo Werneck também pode ser chamado de “santa causa”.