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Carta aberta a Marcelo Oliveira

Então -caro Marcelo - peço-lhe não deixar por menos o ato horrendo e incivilizado de alguns peruanos hostilizando o Tinga.

Bem sabe o amigo que, no futebol, pessoas como você, Nelinho, Fábio, Dirceu Lopes, Jair Bala, Tostão e Gilberto Silva são raras, por sempre aliaram a competência técnica ao caráter, ao bom comportamento, a demonstração de princípios que vêm do berço. O que atletas bem sucedidos falam ou fazem têm muita importância na formação de um povo. Então -caro Marcelo - peço-lhe não deixar por menos o ato horrendo e incivilizado de alguns peruanos hostilizando o Tinga.

Muitos dirão: “Foram apenas dez ou vinte”. Outros podem sugerir ações violentas. Não devemos dar importância àqueles infelizes da arquibancada, mas, ao gesto deles, sim. Também precisamos separar os bobos de todo o conjunto da população peruana; afinal, lá também tem a turma de Máfia Azul e Galoucura, infelizmente. Gente que sequer sabe que, na “Wikipédia”, sobre a formação de seu país está escrito: “A população peruana, estimada em 28 milhões, é de origem multiétnica e possui um alto grau de mestiçagem, incluindo ameríndios, europeus, africanos e asiáticos”. Ou seja, estão mais “juntos e misturados” que nós. Agora, uma coisa é ignorar o bando, outra é não reagir ao fato. Isso precisa acabar de uma vez por todas em todo o mundo. Se depender de governante, teremos reações como a da presidenta Dilma que postou no twiter um “lamento”. Se lamentar resolvesse, Roberto Carlos, Vinícius de Morais e outros compositores desse naipe jamais teriam um só dia longe da amada.

Mas, você tem a faca e o queijo para dar a resposta à altura e conforme é do seu feitio, com educação. A minha sugestão, Marcelo, é você acertar com a direção uma resposta à altura do século XXI no jogo de volta. Primeiro, tratar o Real como todo mineiro acolhe visitante, facilitando-lhes treino no estádio antes do jogo, água mineral no vestiário e, como o Cruzeiro tem uma boa equipe de marketing poderíamos fazer algo histórico, como a distribuição de dezenas de milhares de balões brancos para a torcida, apelos para que os torcedores fossem de branco, soltura de pombas brancas antes do jogo, crianças entregando rosas aos jogadores e juízes quando da execução dos hinos e faixas, muitas faixas, por todo o Mineirão, repudiando o racismo, em português, espanhol, inglês...
 
Paralelamente, enquanto a diretoria cuidaria dos outros detalhes, você prepararia um time forte, com Tinga escalado, e convocaria todos para uma noite inesquecível, de muito futebol e raça. Perdoe-me se entro até na sua sagrada missão de escalar o time, mas, quem mandou você me tratar bem ao longo dos últimos anos? Já pensou na repercussão que teria a luta por um mundo mais decente tal atitude? Vamos, meu prezado, fazer a nossa parte porque, segundo o poeta Vandré, quem sabe faz a hora, e, na visão do navegante mais famoso Amir Klink, “o pior naufrágio é não partir”.