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Cadê o Papai Noel?

Pesquisa da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade revela que 74% dos trabalhadores brasileiros vão...

18/12/2015 às 11:57

Pesquisa da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade revela que 74% dos trabalhadores brasileiros vão utilizar o 13º salário para pagamento de dívidas já contraídas. Entre estes, 83% têm débitos a quitar no cheque especial e no cartão de crédito. Penso que não há sinal mais claro do quanto estamos em apuros com a economia e, pior, da falta de perspectivas para o Ano Novo se sabemos, pela mesma pesquisa, que, com a renda pressionada, apenas 8% das pessoas se organizam para pagar contas de janeiro, como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar.

Sou de um tempo em que 13º era sinônimo de liberdade, tipo do dinheiro que nos permitia fazer o diferente, como comprar uma roupa mais cara ou investir no sorriso de um sobrinho querido, comprando-lhe um presente acima das expectativas. Depois, quando já adulto naqueles tempos medonhos dos anos 70, 80 e 90, aprendi que era preciso ter juízo, gastar no máximo 20% do salário extra e reservar o grosso para janeiro, quando parece que o mundo conspira contra o cidadão. Afinal, não há meios de convencer Estados e Municípios de que, se tiverem o mínimo de boa vontade e planejamento, podem cobrar seus impostos em março ou abril... Insistem no primeiro mês do ano e, não satisfeitos, fazem os cálculos, dão coletivas e mandam as boletas ainda em dezembro como que de propósito para estragar as festas do contribuinte.

Mas, o pior é nos períodos agudos na economia, quando o emprego desaparece e o dinheiro vai junto. Quem não se cuida acaba na armadilha dos empréstimos. O consignado é a modalidade mais perigosa entre os emergentes. Os históricos são o cheque especial e o cartão de crédito, com juros estratosféricos.

Papai Noel anda sumido. Não se vê aquela empolgação de outros tempos. A maior rede de drogarias do Estado mandou fazer galinhada no lugar do churrasco para a confraternização. Um amigo que faz eventos nessa época tem assumido até quatro compromissos por dia, com número menor de pessoas, para manter o movimento do ano passado. Os shoppings têm muito mais gente passeando do que comprando e alguns fatos resumem os tempos bicudos: enquanto, em Betim, um ladrão furtou lâmpadas nos muros de várias residências, em São Paulo o piloto que atendeu pedido de um voo fretado por Papai Noel para o interior acabou assaltado ao chegar ao destino e viu o “bom” velhinho, fantasiado como tal, levar seu avião.

O diacho é que a cantilena dos políticos não deixa o país respirar, não há espaço para quem gosta de ousar, os investidores ficam ressabiados e quem tem algum dinheiro caminha para a especulação. Haja espírito natalino para conciliar as apreensões que nos cercam com a necessária paz interior que deve marcar um tempo tão bonito como o que lembra o nascimento de Jesus. Meu cardiologista preferido, doutor Evandro Guimarães, diz que o coração dos pacientes nunca esteve tão aflito; meu otorrino de todas as horas, doutor Ricardo Jacob, percebe a dificuldade de respiração dos que o visitam, por causa da lama da Samarco e do Planalto... É preciso cantar: “...Papai Noel, vê se você tem, a felicidade, pra você me dar”.

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