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Caça ao pedestre

Caça ao pedestre

06/05/2013 às 02:13

Apesar de toda a correria, eu queria pedir que você parasse pelo menos por uma vez junto a um desses sinais luminosos do centro da cidade a fim de observar a reação de seus semelhantes. Observe o pânico instalado no rosto de cada pedestre e a fisionomia de ataque na cara da maioria dos condutores de veículos.

Os que dirigem automóveis têm de ficar ligados, pois, antes mesmo de o verde aparecer no semáforo, quem está atrás já dispara a buzina... Os motociclistas começam a acelerar suas máquinas assim que observam o bonequinho dos pedestres piscando o vermelho.

Sem exageros, é uma cena comparável àquelas que a gente (felizmente) só vê na televisão de touradas na Espanha ou no México quando o touro olha fixo para o toureiro e começa a raspar o chão com as patas, enquanto baba e se concentra para matar.

Não é taxista, motorista de ônibus ou motoboy. Somos todos nós. Quando pedestre, a gente corre; quando ao volante, a gente deixa claro que é para correr. Sou dos que acreditam que algumas fotos valem por mil palavras e uma delas é aquela do prefeito Márcio Lacerda esquivando-se de um carro que estava em cima da faixa.

Nossa cultura é tão impune, tão mal educada e cruel que nem a presença do síndico da cidade assustou ou inibiu o motorista, muito menos resultou em uma multa.

Na verdade, se um fiscal retirasse o bloco para anotar a infração, teríamos discursos, ali, na Praça Sete, na Câmara e na Assembléia do tipo “é a indústria da multa” ou “covardia, multar trabalhador”... Afinal, não é na nossa Câmara Municipal que discutem projeto exigindo a pintura de faixas horizontais avisando sobre a presença dos radares? É, além da sinalização avisando velocidade máxima e mais placas indicando controle eletrônico, ainda tem de escrever no chão.

A lógica é de defender a minoria infratora, mas o discurso é de proteção ao cidadão. Voltando ao pedestre, experimente colocar 30 quilos a mais nas costas, para sentir as dificuldades de um idoso e tente atravessar nossos cruzamentos mais movimentados, como aqueles da Rua Caetés com Avenida Afonso Pena. Tente entender porque os “abrigos” de ônibus da badalada “Linha Verde” na Cristiano Machado não têm teto – capaz de proteger o usuário de chuva e sol – ou então me diga por que, em 34 anos cobrindo as coisas da cidade, todo dia vejo projeto falando de alternativas para os carros e nunca ouço nada de concreto para proteger o pedestre... Afinal, quem chegou primeiro à cidade?

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