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Boas intenções

Boas intenções

Há pelo menos um consolo nesse ambiente de intranquilidade em que estamos vivendo, com sequestros relâmpagos, saidinhas de banco e outras práticas criminosas a nos tirar a paz: os que têm a responsabilidade de resolver estão preocupados. Na verdade, o quadro só não é pior porque o professor Anastasia levou para o palácio o hábito de ler muito e ouvir rádio. Assim, ele vai repassando as cobranças. Agora, quando entrega uma central de recepção de flagrantes, o secretário de Defesa Social, Rômulo Ferraz, deixa escapar que reconhece o ambiente de insegurança, mesmo tendo dados que mostram a capital de Minas dentro de patamares de outras grandes cidades. Ele promete que a central vai agilizar os procedimentos de forma que, dependendo do crime, um dia ou dois depois do flagrante, quem tiver responsabilidade já poderá ser apenado, o que diminuirá a quantidade de processos em tramitação (afinal, é triste, mas, necessário lembrar que o país tem 80 milhões de processos esperando definição, sendo 5 milhões deles em Minas). E que a central é apenas mais um dos instrumentos previstos no plano integrado de enfrentamento à violência, lançado em maio último. Ainda esse ano, presos vão começar a usar a tornozeleira eletrônica que permitirá controle sobre seus passos e, no caso das mulheres ameaçadas por brigas conjugais, poderá ter dupla eficácia: a ameaçada e seu algoz vão usar, simultaneamente, de forma a não permitir que ele se aproxime. Com alguns anos de implantação do novo sistema, o secretário espera abrir mais 3 mil vagas no sistema penitenciário que, somadas a cerca de 6 mil criadas com os novos presídios, frutos das Parcerias Público Privadas, poderão aliviar a falta de espaço para novos condenados. Para os próximos dias, o secretário quer anunciar também a disponibilização de homens que estão em funções burocráticas na Polícia Militar para que possam se juntar aos que estão nas ruas, no trabalho preventivo. Haverá concurso público na Polícia Civil e compra de mais veículos no ano que vem... Enfim, a gente tem de ser honesto e compreender que não é fácil resolver as coisas quando os recursos são públicos: essas tornozeleiras foram alvo de um sem número de recursos. É bom saber que há consciência, dentro do governo, da gravidade do momento.